Perder o controle sobre as atividades básicas do dia-a-dia, como tomar banho, alimentar-se e utilizar o banheiro, é uma das grandes preocupações que acompanham a velhice. Para as mulheres, o problema mais comum é a incontinência urinária, a incapacidade de controlar a saída de urina da bexiga.
''Do ponto de vista médico, a incontinência não traz complicações sérias para a saúde, mas ela causa muito constrangimento para as pacientes, uma vez que a pessoa não consegue fazer esforço físico, rir ou tossir sem que a urina acabe saindo em grande ou pequena quantidade'', afirma o ginecologista Marcelo Agudo Carvalho de Mendonça.
Apesar de afetar também os homens, a incontinência, segundo o médico, atinge muito mais o sexo feminino. ''Cerca de 10% a 20% das mulheres terão incontinência urinária. A gravidez, por causa do peso do bebê e da pressão que ele exerce sobre a bexiga, e o parto, principalmente os normal, que podem romper o períneo e prejudicar sustentação da uretra, são os principais motivos para as mulheres apresentarem mais o problema'', diz.
Tratamentos Os tratamentos dependem do motivo que originou a incontinência. ''Existe um exame, chamado estudo urodinâmico, que determina as causas da incontinência. Se a causa for algum problema nos músculos da bexiga, muitas vezes apenas um medicamento pode resolver. Se for o períneo, a fisioterapia pode ser a solução. Mas grande parte dos casos, algo em torno de 80%, se resolve apenas com cirurgia'', garante o ginecologista.
A boa notícia para quem anda sofrendo com a incontinência é que o procedimento cirúrgico hoje é bem mais simples e eficaz do que o usado até alguns anos atrás. ''O método é a cirurgia vaginal com a colocação de uma faixa de náilon chamada Sling, onde todo o procedimento é feito através do canal da vagina. Com isso não há a necessidade de anestesia geral, de internamentos longos e cicatrizes pelo corpo'', afirma o ginecologista Octacílio Figueirêdo Netto, autor de um livro sobre cirurgias vaginais.
Fita de náilonNos métodos antigos, além da cirurgia ser de grande porte, os resultados muitas vezes não eram satisfatórios. ''A primeira técnica usada foi a de Kelly Kennedy, onde se usava um fio cirúrgico para costurar as fibras rompidas da bexiga, mas o sucesso atingia apenas 50% dos casos. Depois veio a cirurgia de Bursh, onde o médico separava a bexiga do osso e levantava a vagina para dar sustentação. Nesses casos, o sucesso era de 80%, mas muitas mulheres passavam a sofrer de retenção urinária'', comenta Marcelo.
O médico diz que há cerca de três anos surgiu a possibilidade de realizar a cirurgia com o uso da fita de náilon e pela via vaginal. ''Também abrimos dois orifícios de cada lado da vagina para alcançarmos o osso da bacia. O procedimento é bastante simples. A fita é introduzida na vagina e amarrada nos orifícios do osso da bacia. Ela fica entre o canal da uretra e o canal da vagina, dando sustentação à uretra, que pára de liberar a urina sem que ocorra o relaxamento natural. O sucesso acontece em 90% dos casos'', afirma.
PompoarismoComo o procedimento não envolve o corte de tecidos externos, a paciente fica internada apenas por 24 horas, em observação, e depois pode ir para casa e voltar às atividades normais. ''O único conselho é evitar atividades físicas de grande esforço nos primeiros dias'', diz Marcelo. A cirurgia pode ser feita por mulheres de qualquer idade e é assegurada por planos de saúde e pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A incontinência pode surgir em mulheres de várias idades, embora seja mais comum naquelas que têm mais de 35 anos, devido ao envelhecimento natural dos órgãos e às gestações. ''Mas mulheres que nunca tiveram filhos também podem apresentar o problema'', garante o ginecologista. Para evitar que a incontinência apareça cedo demais, ele recomenda exercícios que fortaleçam os músculos do períneo, como o pompoarismo. ''Isso compensa o envelhecimento dos órgãos e retarda a incontinência.''

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