Adeus ao bisturi
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quinta-feira, 03 de março de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Você é daqueles que pensa que para melhorar o aspecto do rosto, corrigir imperfeições ou destacar traços importantes é necessário realizar cirurgias plásticas complexas e dolorosas? Ou sofre com alguma característica indesejada por não ter dinheiro ou disposição para se submeter ao bisturi? Pois pode ir mudando de idéia. Desde que os médicos descobriram que a substância polimetilmetacrilato, conhecido como metacril, poderia ser usada para fins estéticos, os problemas de muita gente podem estar com os dias contados.
De acordo com a dermatologista Jorgete Megid Carrilho, o metacril é usado na medicina desde 1950, principalmente em ortopedia e odontologia. ''Ele era usado para ajudar em problemas de perda óssea, preenchendo regiões atingidas. Na estética, aqui no Brasil, o metacril é usado há uns dez anos com a permissão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)'', afirma. O metacril é um gel sintético, composto por microesferas, que é injetado no corpo com o uso de seringas e não é rejeitado pelo organismo.
Utilizações A função do produto é preencher partes do rosto e do corpo. ''Dá para realçar traços que a pessoa goste, como aumentar os lábios, a bochecha, levantar o nariz. Pode ser usado para corrigir rugas e sulcos do rosto, como o bigode chinês, aumentar o lóbulo da orelha, que fica murcho com a idade, melhorar o contorno da face e diminuir marcas de espinhas. No corpo é usado para aumentar o bumbum e a panturrilha e corrigir defeitos e cicatrizes de acidentes. É um procedimento muito eficaz'', garante Jorgete.
Mas a especilista lembra que a substância não faz milagres. Em casos de flacidez e rugas de expressão, o metacril não é recomendado. Por questão de segurança, Jorgete também não recomenda o uso do metacril no corpo. ''Como são regiões grandes que se trabalha, é necessário uma quantidade maior de substância, o que aumenta as chances de imperfeições e granulomas, tumores formados quando o organismo estranha a presença do metacril e que precisam ser retirados'', explica.
A maior vantagem de usar o metacril é a facilidade das aplicações. Jorgete diz que nem sempre é necessário anestesiar o paciente, e quando é preciso, a anestesia é local. ''Aplicamos o anestésico apenas em regiões mais sensíveis, como boca e nariz. A duração do tratamento varia de caso para caso, mas a média é de uma hora por região. O procedimento é supertranquilo e não provoca dor depois, no máximo um edema ou hematoma leve. A pessoa sai do consultório e pode ir trabalhar ou voltar para casa normalmente.''
Maior duração Por não ser rejeitado pelo organismo, o metacril também tem um período de permanência maior do que outras substâncias usadas para preenchimento. Em média, o resultado fica no corpo por dois anos. ''Em lugares onde a mobilidade é maior, a eliminação acontece mais rápido, mas a substância não é eliminada totalmente do organismo'', diz. A não rejeição também possibilita ao paciente aplicar o produto em vários pontos de uma só vez.
O produto só pode ser utilizado por médicos especializados, e a dermatologista alerta para os perigos da má aplicação. ''Primeiro de tudo é necessário muito cuidado com os riscos de infecção. Depois é preciso ter bom senso nas aplicações, porque se o paciente não gostar do resultado, o metacril não pode ser retirado do organismo. O ideal é fazer mais de uma sessão até se chegar ao ideal, para evitar possíveis exageros'', avisa a especialista. Mulheres grávidas, pessoas com problemas de coagulação ou com algum tipo de infecção também estão proibidas de usar a substância.
O metacril custa em média R$ 250 por milimitro. Cada ml é suficiente para trabalhar uma parte pequena do rosto, como boca ou orelha. Não existe limite de idade para a aplicação da substância, que pode substituir e retardar a necessidade de cirurgias plásticas. ''Ele também é usado juntamente com a cirurgia para melhorar os resultados'', lembra Jorgete. n


