Acompanhando a anatomia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de maio de 1999
Francelino França 
Desde 1985, o arquiteto e designer Ronaldo Duschenes se dedica a industrializar produtos com design diferenciado, buscando conciliar os princípios da ergonomia e da estética. Na ergonomia, a relação homem/máquina é estudada, procurando uma forma de interação mais confortável e segura.
A mola mestra para sua criação, além da observação in loco, é sua forte intuição. Não acredito na pesquisa como orientadora de criação, define o arquiteto. A pesquisa é válida, segundo a experiência de Duschenes, para verificar se o produto está sendo bem aceito. Em seu processo de criação na Flexiv, Duschenes faz vários protótipos para teste em escala industrial, e isso tem um custo elevado, segundo ele.
De acordo com o arquiteto, o ambiente do escritório é uma representação do tipo de trabalho que é desenvolvido. Cada profissional trabalha com um tipo de imagem, sintetiza. Um escritório de publicidade precisa demonstrar grande vitalidade. Isso é possível com cores mais contrastantes e vibrantes. Se a profissão exige um conservadorismo maior, o uso de madeira é indicado. O importante é não limitar cores e materiais à moda complementa.
Na concepção de Ronaldo Duschenes, o designer mais talentoso é aquele cuja capacidade de interpretar seu tempo é mais adequada. Os arquitetos de interiores estão completamente integrados à concepção e a praticidade dos móveis ergonômicos. De acordo com Duschenes, as organizações sindicais estão pressionando as empresas a adotar uma nova postura para prevenir problemas por Lesão do Esforço Repetitivo (LER), adquirindo móveis ergonômicos.
Mas o importante não é apenas comprar esse tipo de móvel, é preciso treinar o funcionário para usá-lo corretamente. Afinal, o trabalho não pode ser massacrante, afirma. Segundo Ronaldo Duschenes, para o funcionário que trabalha num ambiente agradável, as idéias fluem de maneira mais rápida.
A próxima década é objeto de estudos do arquiteto, que considera ainda a forte influência do computador no cotidiano. Por isso, o teclado, uma invenção de mais de um século, agora adaptado ao computador, ainda será muito usado. Como o trabalho está cada vez mais se desvencilhando do formato tradicional, os móveis seguirão a tendência, adequando o trabalho ao ambiente residencial. Teremos menos papéis, mas ainda precisaremos organizá-los. Nossa relação com o papel ainda é muito forte, conclui.


