Acessórios - Detalhes bem-tramados
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quinta-feira, 10 de abril de 1997
Rosângela Vale 
Milton Dória; Modelo: Daniele MagroTiara e brincos de miçangas: valor sentimentalÀs vésperas do ano 2000, quando a industrialização parece monopolizar o consumo e nivelar os padrões de estética vigentes, algumas formas de produção artesanal ainda resistem, valorizadas pelos que fazem questão de se diferenciar da multidão. Peças como cintos, colares, bolsas, brincos e tiaras - feitas com miçangas, corda, barbante e até plástico - têm um público cativo, e vêm ganhando cada vez mais adeptos.
Sempre gostei de trabalhos manuais, e nas últimas férias aprendi a fazer colares de miçangas; não tinha a intenção de vender, mas as minhas amigas começaram a pedir. Depois de um mês, eu já estava tendo prejuízo, porque costumava dar as peças de presente, conta Lisandréia Spanier Ricci, 22 anos, estudante de odontologia. Com o aumento da demanda, ela resolveu comercializar as suas criações, diversificando os modelos e os materiais utilizados. Hoje, além das miçangas, trabalha com plástico, cristais, pedras de madeira e de acrílico, fios de couro, aço e metal, confeccionando tiaras, cintos, colares, anéis, pulseiras, brincos e bandas de chapéu.
Milton DóriaColar de plástico com armação em fio de metal e pedra de madeira
As encomendas não páram de chegar - cerca de 10 por semana - e os fins de semana de Lisandréia já ficaram comprometidos. Para se ter uma idéia, um cinto de miçanga leva de cinco a seis horas para ficar pronto. Tive que contratar uma garota para me ajudar, mas mesmo assim abdico de um monte de coisas, como sair e namorar, observa. Os preços variam de acordo com o tamanho da peça e com o material utilizado. Um cinto de corda, por exemplo, custa de R$ 18,00 a R$ 20,00, enquanto uma tiara de miçanga sai por R$ 7,00 e um colar de cristal - que pode ter até 200 pedras - por R$ 25,00 ou R$ 30,00.
Para Lisandréia, o lucro inesperado é bem-vindo, mas não é a única motivação para continuar criando novas peças, apesar da falta de tempo. O mais importante do trabalho manual é o valor sentimental. As pessoas vêm até a minha casa, dão sugestões e opiniões. Se eu vendesse para lojas, não teria essa receptividade, diz.
Milton DóriaColar com fios de couro e pedras de madeira
Negócio rentávelA estudante de arquitetura Luciana Saraiva, 22 anos, também começou a fazer cintos artesanais de couro sem a intenção de comercializá-los. Na época, a gente não encontrava cinto bordado para comprar; então, comecei a fazer para mim, conta. As amigas gostaram, as amigas das amigas também, e o que era só um passatempo acabou virando um negócio rentável.
Os 76 modelos disponíveis atualmente são bordados com linha de crochê, barbante colorido e miçangas, em diferentes desenhos e traçados, desde os mais discretos até os totalmente over. Sempre que vou para a minha casa em Rolândia, nos finais de semana, acabo criando um novo modelo, diz. Também há a preocupação de fazer os bordados nos tons predominantes da estação. Especialmente para esse inverno, Luciana fez modelos em camurça marrom com linhas verde, vinho e cinza. Recentemente, passou a confeccionar bolsas de nobuk, camurça e lona tipo mochila, com pequenos e delicados bordados.
Marcos BorgesCintos de couro e bolsas de lona: bordados com linha de crochê, miçangas e barbantes coloridos
Para dar conta das encomendas - cerca de 200 cintos e 40 bolsas por mês - Luciana terceirizou o trabalho de corte do couro e contratou três funcionárias para bordar. Eu supervisiono o trabalho uma vez por semana, conta. Além de vender para os shoppings da região, ela mantêm seis vendedoras ambulantes que apresentam os cintos em pequenas amostras. Os preços variam de R$ 14,00 a R$ 28,00, de acordo com a largura e com o trabalho necessário em cada modelo. As bolsas custam de R$ 45,00 a R$ 65,00.


