Acerte seu relógio biológico
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quinta-feira, 08 de março de 2001
Fabiane Bernardi Agência Estado 
São duas da manhã e você não tem sono. Pelo contrário: está completamente disposto para passear e ir almoçar naquele restaurante que lhe recomendaram. A culpa é do jet leg a diferença entre o seu horário biológico e do local onde você está capaz de fazer muita gente perder o sono à noite, não conseguir acordar pela manhã e ficar indisposto por vários dias.
Quem viaja muito ou está prestes a realizar uma viagem para algum lugar com outro fuso horário precisa se precaver. Uma dica é arrumar o relógio para o horário do local de destino uns dois dias antes. Agindo desta forma, o passageiro tem tempo para ir se acostumando com a nova situação e o jet leg será menor.
A maioria das pessoas que passa por essa situação não recebe orientação nos aeroportos ou aviões. Quem me deu algumas dicas foi a agente de viagem, explica Tote Nunes, jornalista, que no ano passado enfrentou uma maratona de quase 27 horas para cobrir os Jogos Olímpicos de Sydney, na Austrália. O mais esquisito é que eu sai daqui à noite e, quando cheguei lá, ainda era noite.
Partindo de São Paulo, ele foi até Buenos Aires, depois para Auckland (Nova Zelândia), para então seguir rumo à Austrália. Você dorme, acorda, dorme de novo, é realmente cansativo. Tinha horas em que eu colocava os pés para cima da poltrona, tentava mexer um pouco as pernas, mas mesmo assim meus pés ficaram inchados, lembra ele, que viajou em classe econômica (ver box).
Não durma Um dos conselhos mais eficientes que Nunes recebeu da sua agente viagem foi a orientação de não dormir quando chegasse na Austrália, por maior que fosse o cansaço, e tentasse ficar acordado até as 22 horas. Mesmo cansado eu andei e visitei a cidade. À noite, quando fomos jantar num restaurante, parecíamos zumbis, ninguém conversava. Mas isso ajudou a acertar nosso horário e em dois dias a gente já estava legal.
Ele, que também foi para a França em 98 cobrir a Copa do Mundo, recorda que não sofreu tanto com as 13 horas de viagem. É complicado, mas eu não senti tanto, se comparado a viagem à Austrália. O que ajuda também é não ficar encanado, só pensando nisso. Você precisa relaxar e esquecer que há tantas horas de viagem pela frente.
Já para a professora Leila Signorelli, o jet leg não foi tão fácil de enfrentar. Por causa do trabalho do marido Ivan, ela precisou se mudar com os dois filhos pequenos (Ivan e Alexandre) para Milão, na Itália. Me lembro que no dia seguinte que chegamos ao hotel, ao invés de acordar normalmente às oito horas, só levantamos às três da tarde, recorda. As camareiras começaram a bater na porta do quarto desesperadas, pois nós não aparecemos para o café da manhã, nem para o almoço, não fazíamos barulho, nem dávamos sinal de vida. Então foram verificar se estávamos vivos.
Ela conta que já ouviu dizer que é preciso um dia para cada hora de fuso horário para seu organismo se equilibrar. Não sei se é verdade, só me recordo que nos horários em que devíamos estar bem dispostos, sentíamos aquela moleza, sonolência. Também não tínhamos fome na hora de almoço, ela só vinha bem mais tarde.
Já os filhos, que naquela época tinham 8 e 10 anos, não sofreram muito com a mudança. Eles sentiram o mesmo que a gente. No fundo, acho que eles até se adaptaram mais rápido. De volta ao Brasil, hoje quem enfrenta as viagens é o marido. Às vezes, ele sai dois dias antes de uma reunião na Europa e, dependendo do horário, pega o avião de volta no mesmo dia. Como viaja muito, acho que seu organismo nem sabe onde dorme e onde acorda. Ele não sente mais o jet leg quando está fora, mas, quando volta, parece que vem dobrado.
Conselhos A agente de viagens Marisa Dodi, da agência Porta do Sol, confessa que costuma orientar seus passageiros. Explico que é importante tomar bastante líquido e não comer alimentos pesados, isso para chegar no destino bem light, conta. Acredito que 72 horas é o tempo que o nosso relógio biológico leva para se acertar.
Se o cliente for realizar uma viagem mais longa, ela sugere um dia de pausa. Se for São Paulo/Tóquio, por exemplo, a parada em Los Angeles é free. Se há tempo, oriento parar um dia para dar uma quebrada na viagem, observa Marisa.
Outro conselho pertinente é nunca marcar um compromisso próximo à hora da chegada. Os executivos ainda podem contar com uma assessoria no local, mas aqueles que viajam como turistas precisam de um tempo maior. Já se a pessoa vai começar a trabalhar na segunda, digo que é melhor chegar na sexta para ter alguns dias e, assim, tomar atitudes conscientes.


