Abstinência em grupo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de outubro de 1998
Vivian de Albuquerque 
As reuniões costumam acontecer sempre às quintas-feiras à noite em Curitiba. Nelas, um grupo de mais ou menos 15 pessoas compartilha uma experiência nem tão agradável assim, a dependência da nicotina.
Criado em 1991, e nos mesmos moldes dos famosos alcoólicos anônimos, o Grupo de Fumantes Anônimos Jardim das Américas, de Curitiba, tem como objetivo principal a consolidação da abstinência. Isto porque, segundo um dos coordenadores do grupo, o consultor em dependência química Aroldo Machado, pelo menos 70% dos abstinentes voltam ao vício depois de algum tempo.
Não existe melhor remédio do que o ato de compartilhar, comenta Aroldo Machado. Por isso, o que tentamos aqui é fazer com que a pessoa aprenda a viver com os outros, recuperando principalmente a auto-estima. Muitas pessoas que vêem outras parar de fumar acham que são impotentes por não conseguirem o mesmo. E é aqui, trocando experiências, que elas acabam recuperando a esperança.
O trabalho é gratuito e inclui ainda a distribuição de panfletos com dicas mais do que úteis para quem deseja abandonar o vício. Um exemplo é o dos mecanismos que ajudam a driblar as chamadas situações gatilhos. Situações que durante 30 anos atormentaram o próprio consultor do grupo. Eu fumei durante 30 anos. Hoje estou há quatro anos e três meses sem fumar. Foi analisando o risco da remissão que mergulhei no grupo. Um grupo que está se espalhando pelo mundo inteiro.


