Assim que a criança começa a pronunciar as primeiras palavras, a voz requer uma atenção especial - estudos mostram que vem aumentando o número de distúrbios vocais na infância. A maioria das pesquisas realizadas com a voz de crianças estima que de 1000, aproximadamente 90 apresentam problemas. Entre os principais distúrbios aparecem a disfonia (rouquidão) e falhas na voz.
A fonoaudióloga Jaqueline Santos, que está cursando especialização em voz na Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC), explica que a voz rouca soa soprosa, fraca ou mais grave ou aguda. ''Essas mudanças sonoras acorrem devido às desordens relacionadas a pregas vocais. Se estiverem inchadas ou com lesão, haverá diminuição do contato, prejudicando o som gerado pela laringe'', esclarece.
Segundo ela, há muitas causas de rouquidão mas, felizmente, a maioria não é grave, podendo se resolver com o tempo. ''A laringite aguda é mais comum e consiste no inchaço da laringe devido a gripes ou irritação por uso excessivo da voz, como gritar durante práticas esportivas ou eventos musicais'', observa Jaqueline dos Santos.
Esse uso inadequado da voz pode formar nódulos (calos) ou pólipos. ''Os nódulos são comuns em adultos e crianças'', acrescenta. A fonoaudióloga salienta ainda que a criança pode modular sua voz de acordo com uma pessoa que ela tem como ídolo, por exemplo, artistas da tevê, resultando numa voz bastante imprópria quanto ao tom, qualidade, intensidade e ressonância. ''Entretato, existem crianças que apresentam problemas vocais porque aprendem a falar através de métodos incorretos'', avisa.
Adolescentes Segundo Jaqueline, existem outros fatores que causam esse distúrbio. ''Crianças com desequilíbrio endócrino ou alérgico podem alterar a qualidade da voz. Além disso, resfriados frequentes e sinusites também são fatores que podem provocar alterações vocais'', acrescenta.
No caso dos meninos, durante a puberdade há, normalmente, uma mudança na frequência da fala e da voz, devido ao crescimento laríngeo. ''Este processo é chamado de mutação. A altura da voz do garoto se torna mais baixa. Na maioria dos meninos, a mutação dura de três a seis meses. Durante esse tempo, o pescoço alonga-se, a laringe tornar mais baixa e aumenta de tamanho. Se essa mutação demorar por mais de seis meses, os pais devem levar o adolescente a um especialista'', orienta a fonoaudióloga.
Durante o período pré-menstrual ou menstrual, as meninas também podem apresentar alterações de voz, podendo haver um aumento no volume das pregas vocais e resultar num tom vocal agravado ou ter instabilidade vocal como, por exemplo, falha na voz, que normalmente desaparece com o término do período menstrual.

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