Celso Mattos
Enviado especial
Desde a antiguidade, os homens que sofrem de calvície tentam encontrar um tratamento que devolva a eles os cabelos perdidos. Na tentativa de obter sua cabeleira de volta, Hipócrates - pai da medicina - chegou a usar um preparado que combinava ópio com rabanete silvestre. Já Cleópatra tratava a calvície de Júlio César com uma porção que continha camundongos incinerados, dentes de cavalo, gordura de urso e tutano de cervo. Isso sem falar nos homens que ficavam horas e horas de cabeça para baixo para melhorar o fluxo sanguíneo no couro cabeludo.
Passados mais de 2 mil anos, muita coisa mudou. Mas a calvície ainda continua desfazendo a cabeça de muitos homens. Mesmo com as avançadas técnicas de implante capilar e outros tratamentos tópicos, os homens ainda não venceram a guerra contra a queda de cabelos. Mas o Propecia, lançado no Brasil em maio de 1998, pelo laboratório Merck Sharp & Dohme, está sendo considerado o melhor tratamento para o combate à calvície masculina.
Para discutir os resultados deste medicamento que está há mais de um ano no mercado, foi realizado de 6 a 8 de agosto, em São Paulo, o ‘‘I Workshop Latino-Americano sobre Calvície’’, que contou com a presença dos médicos Fernando Stengel, chefe do serviço de dermatologia do Instituto Médico Cemic, de Buenos Aires; Larry Buchner, diretor de pesquisa clínica da Canfield Scientific, de Nova Jersey, Estados Unidos e Jerry Shapiro, diretor do Centro de Pesquisa e Tratamento Capilar da Universidade de Bristish Columbia, de Vancouver, Canadá. Em entrevista coletiva à imprensa, eles falaram sobre as pesquisas realizadas com pacientes que estão usando o Propecia e os resultados obtidos.
Prevenção Segundo o dermatologista argentino Fernando Stengel, 83% dos homens tratados com Propecia mantiveram o volume de cabelo no topo da cabeça, após dois anos de uso do medicamento, e 66% apresentaram um visível nascimento de novos fios de cabelo. ‘‘Embora a calvície de padrão masculino possa ser geneticamente pré-determinada, ela é passível de prevenção e tratamento na maioria dos casos. Na Argentina, onde o Propecia está sendo usado há 15 meses, os resultados têm sido muito satisfatórios. Homens que foram tratados prematuramente - dos 20 aos 25 anos - estão percebendo uma significativa redução na queda dos cabelos. É lógico que quanto mais cedo se inicia o tratamento, melhores serão os resultados’’, diz o médico.
O professor Jerry Shapiro ressalta que o medicamento só deve ser usado quando surgem os primeiros sinais de calvície. ‘‘Há pouco tempo, um homem calvo foi até meu consultório com seu filho de 15 anos, querendo que eu receitasse o Propecia para o garoto para evitar uma futura calvície. Apesar de existir uma prediposição genética, o filho não é apenas do pai, mas também da mãe. Portanto, não podemos dizer com certeza que ele também será calvo’’, observa. Shapiro acrescenta ainda que o fato do Propecia possuir em sua composição um pequena quantidade de Andracur - remédio usado para câncer de próstata - não significa que seu uso prolongado no tratamento da calvície vai prevenir esta doença. ‘‘Não existe nenhum estudo científico sobre isso’’, afirma.
Tratamento Os efeitos colaterais apresentados pelo medicamento, segundo os especialistas, são mínimos. ‘‘Os homens podem sentir uma diminuição da libido, disfunção erética ou distúrbio de ejaculação. Nos estudos clínicos realizados com os pacientes, menos de 2% sentiram esses efeitos. E mesmo assim, eles desapareceram com a suspensão do tratamento e também foram diminuindo naqueles que optaram por continuar com o medicamento’’, informa o dermatologista Fernando Stengel. Ele alerta que o Propecia é exclusivo para calvície masculina. ‘‘As mulheres não podem tomar esse remédio em hipótese alguma’’, afirma.
O Propecia é o primeiro medicamento via oral para tratamento de calvície, mas para obter o resultado desejado precisa ser tomado diariamente e para sempre. ‘‘É um comprimido por dia, sem necessidade de hora marcada. Os resultados começam a ser percebidos após de três meses de tratamento. No entanto, as pesquisas mostraram que com a suspensão do uso, os cabelos voltam a cair,’’ informa o médico e professor Jerry Shapiro, ressaltando que antes de começar a tomar o medicamento, o paciente deve consultar um dermatologista. ‘‘O Propecia só tem efeito na calvície chamada de alopecia androgenética, causada por motivos hereditários e hormonais’’, observa.
O jornalista Celso Mattos viajou a São Paulo a convite do laboratório Merck Sharp & Dohme.Workshop realizado em São Paulo reuniu especialistas da Argentina, Brasil, Canadá e Estados Unidos para discutir os resultados do Propecia
Para o advogado carioca Joaquim Gonçalves Cunha, o tratamento foi uma vitória‘‘Como tenho casos de calvície na família, comecei a usar o Propecia quando percebi que meu cabelo estava ficando ralo’’, conta o engenheiro paulista Rafael Moreno JúniorO advogado argentino Ricardo Reto afirma que não sentiu os efeitos colaterais

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