Angela Raizer Barbosa
A última edição da Casa Cor São Paulo revelou uma tendência nova em decoração com um material velho - o couro - que volta nas mais variadas versões de revestimento. Ele aparece em móveis, paredes e tapetes, evidenciando a importância de olhar materiais clássicos de forma nova. Relegado durante décadas como sinônimo de breguice, substituído pelos sintéticos e outros tecidos inovadores, o couro retorna com outras formas e tratamentos. Distante da imagem de material usado para revestir móveis antigos e pesados, com poucas preocupações de design, ele agora faz parte dos catálogos de marcas prestigiadas como o Empório Beraldin, de São Paulo.
Conhecido por só trabalhar com fibras naturais, o Empório Beraldin vem investindo nesse material há quatro anos, quando as lojas de decoração sequer apostavam que fosse voltar à moda. ‘‘O couro e a pele vivem momentos de glória’’, diz Zeco Beraldin sobre esses materiais já considerados démodés. ‘‘Hoje eles são usados em vários estilos de decoração, do sóbrio ao sofisticado, para dar um toque de elegância e atualidade’’.
Cores neutras Trabalhando com couros diferenciados, importados da Argentina, o Empório comercializa diversas opções de padronagens. Lisos ou gravados, com desenhos de croco (imitando a pele de crocodilo) e tressê, os couros recebem tratamento de impermeabilização e estão disponíveis em 15 tonalidades diferentes, em nobuck e natural. A tendência são as tonalidades mais sóbrias e de fácil combinação como marrom, preto, branco e cinza. Já as peles são encontradas nas cores bege, marrom, preto, malhada e serigrafadas com desenho de zebra. ‘‘Esses materiais, por si só, já são marcantes’’, observa Zeco Beraldin. ‘‘Por isso, com uma tendência de decoração que descarta os excessos, a solução é ter acabamentos mais básicos e cores neutras’’. -
Outro mérito do Empório Beraldin foi introduzir novos usos para o material, além do revestimento de estofados. A loja vem empregando couros e peles em almofadas, bordas de tapetes de sisal, colchas, mantas e até em revestimentos de paredes e móveis como armários e camas - vários ambientes da Casa Cor 99 usaram couros e peles da loja. Recentemente, o Empório também introduziu peles de coelho na confecção de acessórios.
A opinião de quem usa ‘‘O couro está sendo usado como característica de moda, não é modismo, até porque é um material clássico, nobre, tem um passado’’, afirma o arquiteto londrinense Álvaro Côrtes. Segundo ele, esse material imprime uma característica mais compacta aos ambientes, principalmente em grandes espaços, que hoje estão visualmente mais limpos e integrados. ‘‘Orgânico, maleável e poroso, o couro se adapta a diferentes formas e temperaturas’’, observa. Álvaro Côrtes revela que prefere usar esse tipo de revestimento em peças complementares como poltronas alongadas que permitem uma posição mais relaxada do corpo, em ambientes como salas de TV e som residenciais. ‘‘Já em ambientes comerciais, o couro e a pele podem revestir móveis de áreas de recepção, poltronas e cadeiras de restaurantes e cabeceiras de camas em hotéis’’, diz ele.
O tapeceiro Gabriel Baggio, com mais de 30 anos no setor de revestimentos de estofados, vivenciou o auge e a decadência do couro, e agora vê com bons olhos a volta desse material, com grandes vantagens sobre o passado. ‘‘O couro atual tem mais elasticidade, permitindo sua utilização em qualquer tipo de móvel, além de apresentar grande variedade de cores e texturas’’. Em relação à cor, Baggio lembra que antigamente o couro só era tingido numa face - o avesso permanecia branco, qualquer risco ou perfuração inutilizavam o estofado. ‘‘Hoje, com as modernas técnicas de tingimento varado, ele vem com o mesmo tom no direito e no avesso’’. Segundo ele, há couros de primeira qualidade a partir de R$ 55,00 o metro quadrado. ‘‘O que encarece mais em relação ao tecido é a metragem, já que o couro não é simétrico. Em compensação, um sofá de couro bem cuidado dura, no mínimo, 15 anos, enquanto que a durabilidade de um de tecido é de 3 a 5 anos’’, argumenta Baggio.
Manutenção Para o arquiteto Álvaro Côrtes, o melhor produto para limpar e conservar o couro é o leite de vaca embebido num pano macio. Mas para quem prefere produtos industrializados, há outras opções como finas camadas de Creme Nívea, cera de carnaúba incolor e Blem aerosol.Arquitetos e empresas do setor apostam no couro, que retorna com outras cores, texturas e formas de utilização
DivulgaçãoLinhas inspiradas em tonalidades masculinas com almofada em couro marromDivulgaçãoTapetes de sisal com bordas em couro e pele: acabamento nobreDivulgaçãoCouros lisos, tressê e croco: elegância contemporânea na coleção do Empório BeraldinDivulgaçãoPeles lisas, malhadas e serigrafadas da Empório Beraldin: para vários estilos de decoraçãoDaniel Martinon‘‘O couro está sendo usado como característica de moda, não é modismo, até porque é um material clássico’’, afirma o arquiteto Álvaro CôrtesDaniel ProcópioNeste ambiente criado por Álvaro Côrtes, sofá e mesa-pufe em couro nobuck de textura aveludada e dois tons de verde

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