O que Christina Aguilera e Gwen Stefani têm em comum? Além de serem lindas cantoras, elas abusam do batom vermelho, roupas muito femininas e da pose de pin-up, as musas das décadas de 40 e 50. Essas beldades, que povoaram o imaginário masculino das décadas passadas, ficaram um bom tempo esquecidas. Entretanto, ressurgem no visual de famosas e em garotas que se identificam com esse ícone de sensualidade.
A antiga pin-up, que podia ser uma ilustração provocante ou uma modelo voluptuosa fotografada em uniformes como de marinheira, enfermeira ou apenas de espartilho e meias). Tinha características bem definidas, como coxas grossas, seios fartos, cintura bem marcada e uma franjinha inocente.
Elas receberam esse nome porque suas fotos eram penduradas nos quartos de seus fãs, muitos deles, oficiais da Segunda Guerra Mundial, que as admiravam em seus momentos de descanso - por isso, receberam o apelido carinhoso de ''arma secreta''. Já as novas garotas conservam roupas inspiradas nas décadas 50 e 60 e os ensaios sensuais, mas sua principal preocupação não é agradar aos homens. ''Não somos mais bonecas, sempre sorrindo'', diz a paulistana Lekka Glam, 26 anos, sem contar seu verdadeiro nome.
Uma das pin-ups mais famosas de São Paulo, Lekka trabalha como hostess de uma casa noturna. ''Vi que as mulheres daquela época eram apaixonantes. Fui mudando meu guarda-roupa sem perceber'', conta ela, que tem mais de dez comunidades no Orkut, site de relacionamento na internet em sua homenagem e três fotologs cheios de recados de admiradores e amigos.
Outra pin-up conhecida na capital paulista é Monike Serrano, 27 anos, que aparece em seu fotolog apenas como Monike Pin-up. ''Anos atrás, visitei o site de Betty Page, uma famosa pin-up da década de 50. Fiquei tão envolvida que acabei adquirindo material sobre ela e outros artistas'', diz ela.
Ao contrário das pin-ups originais, conhecidas por aparecerem em cartões sensuais, calendários e revistas, as atuais usam a internet como vitrine. ''Comecei a me sentir pin-up quando criei uma conta no Orkut e no fotolog, há alguns anos. Me considero uma delas por minha sensualidade, postura e imagem'', explica Monike.
Sites sensuais O retorno das pin-ups é um fenômeno globalizado. E para aproveitar o interesse, sites internacionais como o ''Suicide Girls'', disponibilizam espaço para as mulheres que querem fazer ensaios sensuais. No Brasil, há o ''Pin Me Up'', que conta com cerca de 40 pin-ups e três mil membros, que pagam uma quantia mensal para conferir as fotos. ''A garota está descobrindo a fantasia de ser desejada, de ser sexy'', diz Joana Mazza, 28 anos, fotógrafa e coordenadora do site. Para ela, as pin-ups não perdem seu encanto, pois ''o apelo está no jeito de boneca, de intocável''.
Apesar da sensualidade que cerca o mito dessas garotas, as verdadeiras pin-ups não podem ser vulgares ou oferecidas. Sua figura é um jeito de tratar a sexualidade com bom humor. ''Mas sei que há um certo fetiche para os homens'', diz, rindo, Lekka Glam. E para quem pensa que charme e tatuagens não combinam, ela manda um recado. ''Os tempos mudaram e as pin-ups também. Mas isso não nos fez perder nossa essência'', diz a pin-up tatuada.

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