A vitória da alegria e da fé
A dentista Sílvia Veras, 54 anos, é uma mulher díficil de não se notar. Dona de uma exuberância fascinante e de uma risada que toma conta do ambiente e que sai a todo momento, ela parece ter uma vida perfeita. Mas há cerca de três anos e meio, toda essa alegria foi gravemente ameaçada por um câncer bastante agressivo na mama.
''Eu tinha um empastamento no seio direito e comecei a ficar preocupada com ele. Fui à minha médica e pedi que examinasse melhor. No dia em que fiz o exame, percebi pela expressão do médico que me atendeu que a coisa era realmente séria. Ele não me disse nada, apenas que precisaria enviar o material coletado para exames mais detalhados. Mas eu já sabia que estava doente. Tenho uma relação muito forte com Deus e Ele já tinha me alertado'', lembra.
Alguns dias depois veio o diagnóstico: um câncer imenso que, devido a suas proporções, poderia ser se espalhado para outros órgãos do corpo. ''Realizei vários exames para detectar problemas nos pulmões, rins, ossos, e eu não tinha nada. Era só a mama que estava doente. Falei para meu médico que eu não iria me apavorar e que eu queria que ele fizesse o tratamento com calma'', diz.
O início foi uma cirurgia onde provavelmente todo o seio teria que ser retirado. Sílvia, que é muito vaidosa, não se conformou com a idéia. ''Quando cheguei em casa rezei e disse a Deus que eu aceitava a doença e que iria lutar, mas que não admitia perder meu seio. As pessoas quando ficam doentes se entregam, não entendo isso'', comenta. Felizmente, a mama não precisou ser retirada completamente. ''Quando eu acordei meu seio estava ótimo. Eu usava prótese de silicone e ela ainda estava lá, perfeita'', lembra.
Passada a cirurgia, vieram as sessões de quimioterapia e radioterapia. Com elas chegaram a queda de cabelos e os enjôos. Mas nada que abalasse a auto-estima e a vontade de ser feliz de Sílvia. ''Eu tinha um cabelo enorme e já na segunda sessão ele começou a cair. Não tive dúvidas: raspei a cabeça e comprei um monte de lenços lindos. Também usava brincos e colares para dar um colorido no rosto'', afirma.
Terminado o tratamento, ela trocou o silicone nos seios e correu para a academia. ''Fiquei com medo da prótese ter algum problema por causa da radioterapia e troquei. Assim que pude voltei a fazer exercícios, coisa que sempre fiz. Hoje estou muito bem, recuperada e livre da doença'', garante.
Tanta garra ela diz que consegue pela própria personalidade e do contato com Deus. ''Eu sempre achei que ia sair bem dessa história porque Deus está sempre comigo e minha mãe me ajudou muito. Os problemas são a única certeza que temos na vida e o nosso objetivo deve ser superar todos eles. Minha alegria também é muito forte. Sou uma pessoa que se alegra com pequenas coisas. O câncer foi até bom porque hoje me cuido muito mais do que antes.''





