A vida por um fio
Escola, estágio, computação ou trabalho. Nenhuma dessas atividades, nem mesmo a balada do fim de semana com os amigos, impede jovens que sonham com um mundo mais solidário.
Por meio de algumas horas do dia ou da semana, jovens buscam ajudar como podem. Trabalhos manuais, arrecadação de alimentos, preservação do meio ambiente ou simplesmente uma conversa amiga são algumas das atividades praticadas pelos voluntários.
Foi a solidariedade de pessoas mais velhas que incentivou Rodrigo, 23 anos, a disponibilizar parte de seu tempo para ajudar quem precisa. ''Eu trabalhava numa empresa de materiais de construção em São Paulo e via muitas pessoas, a maioria pobres e idosos, fazendo mutirão para ajudar os desabrigados. Aquilo me sensibilizou muito'', diz Rodrigo.
Apesar da falta de tempo, devido aos estudos e trabalho, o jovem reserva os domingos para atuar como voluntário no CVV de Londrina, movimento sem fins lucrativos de valorização da vida. ''Percebi que eu também podia ajudar alguém. Sei que meu trabalho é uma parcela de ajuda muito importante'', ressalta.
O CVV de Londrina completa 25 anos de existência em outubro. Todo o trabalho é realizado por uma equipe de 32 voluntários que atendem pessoas que buscam, por meio do telefone, conversar com alguém em momentos de tristeza, solidão ou angústia.
De acordo com a coordenadora de divulgação do CVV de Londrina, Vera Carlos, são atendidas cerca de 800 ligações por mês. O serviço é disponível 24 horas por dia, pelo telefone 141 ou 3356-4111, e é cobrado o valor de uma ligação local. ''Existem vários casos e dificuldades. Pessoas com problemas familiares, financeiros ou amorosos. Muitas passam por essas dificuldades por falta de compreensão e quando conversam, desabafam, se sentem melhor'', diz Vera.
O trabalho realizado pelo CVV chamou a atenção do jovem André, 22 anos, que atua na instituição há cerca de três meses e que não pretende deixar o voluntariado tão cedo. ''O trabalho voluntário sempre foi muito pressente na minha vida. Além do CVV, realizo também algumas atividades no grupo religioso a qual pertenço'', diz.
Para André, esse trabalho é tão importante que ele até planeja continuar atuando no CVV de outro município, caso tenha que ir embora de Londrina em busca de emprego. ''É muito bom ter com quem conversar em momentos difíceis. Existem muitas pessoas que não têm esse ombro amigo para desabafar suas angústias'', ressalta.
Outra jovem voluntária do CVV é Luana, 23 anos. Para ela, o trabalho voluntário não é nenhuma novidade. Há cinco anos, quando morava em Santos (SP), ela trabalhava em uma clínica que tratava de pessoas portadoras de deficiência física e mental. ''Eu ficava na sala de espera brincando com crianças que seriam atendidas'', diz.
Ela lembra que procurou ser voluntária por ter se identificado com o trabalho realizado pela instituição. ''É muito interessante o que o CVV proporciona às pessoas. Muitas delas, além de não ter com quem conversar, não têm acesso a um psicólogo, ou outro profissional, que possa ajudá-las. Lá elas encontram alguém com quem dividir seus problemas'', conclui.
Cruzada do bemOutro movimento que têm reunido jovens e adolescentes voluntários é a Cruzada Social de Proteção à Maternidade e à Infância. O movimento surgiu em Curitiba há 42 anos, quando a mulher de um militar ficou sensibilizada com a situação de um soldado que não tinha roupas de bebê para buscar o filho na maternidade.
Hoje, a subsede da Cruzada em Londrina possui cerca de 40 voluntários. O objetivo do movimento é auxiliar filhos de cabos e soldados da Polícia Militar com a venda de produtos artesanais confeccionados pelos voluntários.
A estudante Mariana Dias de Almeida, 15 anos, é filha de soldado e está há um ano trabalhando como voluntária na Cruzada. Além de ajudar, ela pode preencher seu tempo aprendendo artesanato. ''Eu sei que o que fazemos lá é para ajudar bebês de soldados. Gosto de ajudar, principalmente porque se eu não estivesse aqui, estaria em casa sem fazer nada'', diz.
David Edson Leite, estudante, 15 anos, não é filho de soldado, mas recebeu o convite de uma amiga da escola que já fazia parte da Cruzada. ''Eu já aprendi pintura em madeira e colagem. Agora confecciono amarradores de cabelo. Sei que estamos ajudando alguém, por isso quis participar'', ressalta David.
Já para a estudante Rosana Amadeu Pereira, também de 15 anos, o interesse surgiu depois de ouvir comentários sobre os benefícios do trabalho voluntário do movimento. ''Eu ia à piscina do clube da polícia militar e escutava as mulheres comentando sobre a Cruzada Social. Acabei me interessando e quis fazer parte. Sei que estou ajudando com meu trabalho e também não fico em casa à toa''.





