Nas próximas terça, quarta e quinta-feira, a vanguarda da moda brasileira mostra seu outono-inverno 99. É a 5ª edição da Semana de Moda, que acontece em um galpão desativado da Barra Funda, em São Paulo. Na passarela, criações de Ronaldo Fraga, Mario Queiróz, Jotta Sybbalena, A Mulher do Padre, Lorenzo Merlino, Carlota Joaquina, Eduardo Ferreira, Slam e Cavalera, entre outros (ver programação). O local tem capacidade para mil pessoas, mas a intenção é receber apenas 800. ‘‘É um evento muito cool e objetivo, voltado apenas para imprensa, compradores e formadores de opinião’’, explica o jornalista André Hidalgo, idealizador do projeto.
Croqui de Mareu Nitschke: universo da body artFamiliarizado com o gueto de criadores paulistanos, André começou a perceber que eles faziam trabalhos realmente bons, mas não tinham espaços nos grandes eventos. ‘‘No Phytoervas Fashion existia uma cláusula determinando que cada estilista podia participar, no máximo, três vezes. Depois disso, eles ficavam jogados à própria sorte, pois ainda não tinham estrutura para fazer desfiles individuais. Alguns corriam o risco de ter a carreira comprometida’’, lembra o jornalista, que então resolveu reuni-los em uma espécie de cooperativa.
Conseguiram o local - um casarão no Parque Água Branca, cedido pela primeira dama do Estado, Lila Covas - as modelos desfilaram em troca de roupas e os demais custos foram rachados entre o grupo. Começava, assim, em 97, a primeira edição da Semana de Moda, com seis estilistas: Lorenzo Merlino, Elisa Stecca, Jesiel Moraes, Annelise de Sales, Marcelo Sommer e Martielo Toledo. ‘‘De cara, o evento ganhou a simpatia do público e da mídia’’, conta André. E o interesse dos patrocinadores também. Desde a terceira edição, a Alcântara Machado banca os custos.
Look de Icarius, que trabalha com o tema ‘‘Depois de Cristo’’Hoje, o número de participantes mais do que dobrou: são 14 ao todo, mas os critérios de seleção permanecem os mesmos: ‘‘Todos têm trabalhos conceituais e um nome forte; não gostamos da palavraunderground porque não se trata de profissionais que começaram ontem. A escolha dos estilistas sempre foi uma coisa meio intuitiva, informal’’, explica André, que estuda a melhor forma de abrir espaço para iniciantes mantendo-se fiel ao conceito do evento: ser um espaço para legítimos criadores.

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