A vez das mulheres
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de maio de 2001
Celso Mattos 
Depois de várias campanhas para intensificar o uso do preservativo masculino para evitar a gravidez indesejada e as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), o Ministério da Saúde quer difundir também o uso da camisinha feminina. Para isso, lançou em setembro do ano passado em todo o Brasil, uma campanha para testar a aceitação do produto entre as mulheres. O estudo tem a duração de um ano e, durante esse período, as mulheres cadastradas receberão gratuitamente oito preservativos por mês.
Em Londrina, a campanha está sendo coordenada pela 17ª Regional de Saúde; na Universidade Estadual de Londrina, o estudo está vinculado ao Programa de Planejamento Familiar do Ambulatório do Hospital de Clínicas. Além do HC, a campanha está ocorrendo também nas unidades básicas de saúde dos jardins do Sol, Vila Ricardo, Parque Alvorada e Carnasciali. Em Cambé, o atendimento às mulheres é na unidade de saúde do Jardim Ana Rosa e, em Ibiporã, no Posto de Saúde Central.
As mulheres interessadas em participar da campanha podem procurar um desses locais, pois ainda há vagas, informa a assistente social Argéria Maria Serraglio Narciso, coordenadora do programa no Hospital de Clínicas da UEL. Segundo ela, nas regiões onde houver boa aceitação, o Ministério da Saúde vai distribuir gratuitamente a camisinha feminina, que custa duas vezes mais que a masculina.
É importante que as mulheres participem e experimentem mais esse método contraceptivo que vem somar aos já existentes, possibilitando maior autonomia às mulheres, destaca Argéria. Os resultados parciais dos testes mostram que a maior dificuldade encontrada pelas mulheres é com relação à colocação do preservativo. Ao contrário da masculina, a camisinha feminina é de uso interno e, para colocá-la, a mulher precisa tocar em seu orgão genital e muitas não têm esse hábito porque não conhecem o próprio corpo, comenta a assistente social.
Autonomia Segundo Argéria Narciso, o homem até pode ajudar a parceira a colocá-la, mas finalização tem que ser feita pela mulher, pois a camisinha precisa ser acoplada ao cólo do útero. Parece complicado, mas não é. A mulher encontra um pouco de dificuldade apenas nas duas primeiras vezes. Além disso, a camisinha feminina pode ser colocada até oito horas antes da relação sexual, acrescenta.
Outra desvantagem apontada pelas mulheres foi com relação a aparência e tamanho, que renderam à camisinha o apelido de feiosa, mas Argéria justifica: O tamanho é adequado à anatomia do corpo da mulher. Entretanto, muitas usuárias afirmaram que a camisinha feminina é mais higiênica e segura. Não foi relatado nenhum caso de rompimento do preservativo, afirma Argéria. Além disso, por ser confeccionada à base de um plástico ultrafino, os homens relataram que sentem maior sensibilidade e conforto durante a relação sexual se comparado ao preservativo masculino, que por ser feito de latex comprime o pênis, causando muito desconforto.
No entanto, segundo Argéria Narciso, a maior vantagem da camisinha feminina é que ela dá liberdade e autonomia à mulher. Ela não depende mais do homem para evitar a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis, observa a assistente social.
Gostei Estou usando há quatro meses e tanto eu quanto meu marido estamos gostando muito. No começo encontrei um pouco de dificuldade para colocá-la, mas a partir da terceira vez tudo ficou mais fácil. Meu marido diz que sente mais sensibilidade com a camisinha feminina do que com a masculina porque ela é mais fina. Como não posso usar anticoncepcional, estava usando o DIU e quando venceu o prazo, decidi testar a camisinha feminina porque me sinto mais confortável e segura. Além disso, acredito que o preservativo feminino vem selar a emancipação da mulher que não precisa mais depender do homem para evitar a gravidez e, principalmente, as doenças sexualmente transmissíveis. Luciana Pacheco Silva, 31 anos, auxiliar de enfermagem.
Não gosteiEu usei duas vezes mas não me adaptei. Achei a camisinha muito esquisita, é grande demais e muito desagradável para colocar. Meu marido também não gostou. Além de eu tomar anticoncepcional, meu marido também usa camisinha porque como temos três casais de gêmeos não podemos correr riscos de uma nova gravidez. Mas apesar de não ter gostado, acho importante que as mulheres participem dos testes porque muitas podem se adaptar bem ao preservativo. Como moro em um bairro onde muitas jovens estão iniciando sua vida sexual sem qualquer informação, estou organizando uma reunião de mulheres na minha casa, para que o pessoal do Hospital de Clínicas possa ir até lá e falar sobre a campanha e a importância deste novo método contraceptivo. Aparecida Hilária da Silva, 34 anos, dona de casa.


