A exemplo do que ocorre nos principais países produtores, o consumidor brasileiro já pode contar com um completo guia para orientar a compra e até a degustação e guarda dos bons vinhos nacionais. O mercado editorial brasileiro já oferece diversos guias sobre vinhos importados. Sobre vinhos nacionais foi lançado semana passada em São Paulo, o primeiro ‘‘Guia dos Vinhos Brasileiros’’, com notas comparativas entre quase três centenas de vinhos finos nacionais tintos, brancos e rosés; secos, meio-secos e doces; espumantes e tranquilos, de diversas categorias e faixas de preços.
Foram avaliados tão somente os vinhos brasileiros considerados pela legislação como ‘‘vinhos finos’’, ou seja, aqueles produzidos com uvas próprias para vinificação, de origem européia, as mesmas que, no mundo todo, são empregadas para elaborar os melhores vinhos. Escrito por Julio Anselmo de Souza Neto e Carlos Arruda, fundadores da ‘‘Academia do Vinho’’, empresa do site www.academiadovinho.com.br, dedicada à consultoria e cursos sobre vinho, o livro é o primeiro referencial comparativo entre vinhos nacionais realizado com propósito de servir de balizamento e orientação ao consumidor, a exemplo do que ocorre nos tradicionais países consumidores da bebida há anos.
Degustação O guia é o resultado de uma degustação que reuniu na capital mineira, 14 dos mais renomados e respeitados apreciadores e divulgadores do vinho no Brasil, para avaliar às cegas (sem saber o que estava em cada copo numerado), a mais extensa e compreensiva amostra da produção nacional jamais reunida. Foram jornalistas, autores consagrados, presidentes e ex-presidentes de associações de enófilos, sommeliers profissionais, em um painel de gerações dedicadas ao vinho e à difusão da cultura vinícola no Brasil.
O grupo elaborou fichas técnicas de degustação, teceu comentários sobre as características dos principais produtos e atribui notas aos vinhos, que poderiam receber cinco estrelas (excepcionais); quatro (muito bom); três (bons); duas (razoáveis) e uma estrela (fracos/aceitáveis). Os degustadores constataram um franco processo de evolução do produto nacional, mas não avaliaram com cinco ou quatro estrelas nenhum vinho brasileiro. Dentre os 290 degustados, apenas 17 vinhos nacionais receberam três estrelas. Sete receberam duas estrelas e a cinco produtos foi atribuída uma estrela. A avaliação – e o guia – devem ser realizados anualmente, o que vai permitir o acompanhamento da evolução da produção nacional.
História e evolução ‘‘O único critério levado em consideração foi o da qualidade, diante de padrões internacionais de avaliação’’, destaca o autor Júlio Anselmo. ‘‘Como vivemos em um mercado de oferta globalizada de produtos com preço muitas vezes semelhantes, os degustadores aplicaram ao produto brasileiro os mesmos critérios de comparação que usariam, por exemplo, para vinhos chilenos, argentinos, europeus, etc. Muitos vinhos nacionais estão mesmo em um patamar superior de qualidade daquele de certos importados do mesmo preço’’, ressalva. Sempre que ocorre, a avaliação independente e isenta de interesses comerciais – realizada sob ponto de vista do consumidor – tem se mostrado uma excelente mola propulsora para evolução dos produtos vinícolas locais.
Além dos parâmetros de orientação para compra, o ‘‘Guia dos Vinhos Brasileiros’’ traz completas referências sobre a indústria nacional, com dados atualizados sobre as vinícolas; as regiões vitivinícolas do País, seu potencial e produção; uma completa lista de entidades de congregação, estudo, pesquisa e fomento à produção da bebida.
Praticamente metade do livro é dedicada à história do vinho, sua origem e evolução, além de dicas didáticas sobre como degustar, adegar adequadamente e apreciar o vinho em perfeita combinação com a comida. Com um dos autores catedrático de Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais, não poderia faltar um bem fundamentado capítulo sobre vinho e saúde. Glossário de termos aplicados no universo vitivinícola e uma extensa indicação de bibliografia completam o volume.
Para o também médico e enófilo Sérgio de Paula Santos, decano da literatura vinícola do Brasil (é autor de sete livros publicados sobre o tema) e prefaciador da obra, ‘‘a razão deste guia é o amor e o respeito ao vinho, aos que produzem e aos que o consomem. Se o próprio Cristo fez dele seu instrumento de paz e entendimento, não nos cabe contrariá-lo’’, diz.
Encadernado em formato de bolso, com capa dura plastificada para fácil manuseio e consulta, o livro é publicado pela Market Press Editora e pode ser encontrado nas principais livrarias; também diretamente pelos sites www.marketpress.com.br, www.academiadovinho.com.br; ou através do telefone 0800 55 6258.

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