A um toque dos dedinhos
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Em julho do ano passado, ao brincar com o celular do pai, Sorella, de 14 meses, moradora de Portland, nos Estados Unidos, acabou comprando um carro no site eBay. O smartphone estava com o cartão de crédito pré-cadastrado para compras no portal e o pai tinha pesquisado o veículo anteriormente. A "sorte" é que o modelo era antigo, precisava de restauração e por isso custou apenas 225 dólares, mas o caso serviu de alerta para os pais bloquearem os aparelhos com senha.
Ver crianças tão pequenas manuseando aparelhos eletrônicos como tablets e smartphones é algo bastante comum e o próprio mercado já oferece vários modelos. A dúvida de muitos pais é a partir de qual idade os pequenos podem ter acesso à tecnologia, inclusive porque antes de terem os próprios aparelhos, os dos pais são alvo da curiosidade infantil.
Pesquisa realizada pela AVG Technologies, fabricante de softwares de segurança para computadores e dispositivos móveis, revelou que na faixa etária entre 3 e 5 anos, mais crianças são capazes de operar jogos de computador (66%) ou utilizar um smartphone (47%) do que de amarrar os próprios tênis (14%) ou nadar (23%).
Para Eliane Mitsunaga Stein, coordenadora de pós-graduação em Psicopedagogia da Unifil, é impossível manter as crianças longe da tecnologia, mas os pais devem monitorar os pequenos. "É preciso saber quais os jogos e os sites que os pequenos estão acessando, não é recomendável brincarem com aqueles muito violentos, com sadismo. Existem jogos pedagógicos para celulares e tablets. Os pais também podem determinar o tempo que as crianças terão para usar os equipamentos, mas não tem como não deixar ter acesso, porque não podem controlar o tempo todo, inclusive quando os filhos estão fora de casa", argumenta.
Eliane ressalta que atualmente muitas escolas também usam os tablets e que o monitoramento deve ser feito pelos professores. "Adolescentes tentam burlar as regras. A escola pode usar o equipamento, mas deve estar atenta ao que os alunos fazem", recomenda.
Mesmo com os pais tendo a sensação de que os filhos já nascem sabendo usar os aparelhos, a psicopedagoga recomenda que crianças muito pequenas não os usem. "Acho que eles podem ter acesso após os sete anos. Antes é preciso que a criança brinque, aprenda a se socializar. O grande risco de crianças que ficam muito tempo nesses aparelhos é ficarem retraídas. Elas acabam não sabendo o que fazer fora do mundo virtual", alerta.
Outra recomendação é que os pais aprendam sobre a tecnologia para que possam orientar e monitorar os filhos, além de evitar problemas como compras não autorizadas, seja de aplicativos ou em outros sites. Para irmãos de idade diferentes, pode ser estabelecida uma idade mínima para ganhar o objeto ou que o caçula tenha menos tempo para usar o aparelho.
"Se o pai tem medo, não deve deixar usar, ou então deve buscar orientação para ajudar a se decidir. Muitos pais dão celulares para as crianças para poder monitorá-las, mas crianças pequenas não saem sozinhas. Outros acham que estão enriquecendo a parte cognitiva da criança ao deixá-la brincar com tablets, mas muitas vezes é uma babá eletrônica", destaca.
A psicopedagoga afirma reconhecer a dificuldade dos pais em lidar com os filhos devido à falta de tempo e à correria do dia a dia, mas que é importante dedicar um tempo a eles. "Sempre digo que filho é para sempre e eles exigem atenção. É nas brincadeiras infantis que a criança irá trabalhar sentimentos, irá brigar e fazer as pazes, dividir os brinquedos. Nos jogos eletrônicos é apenas ela contra si mesma", destaca.
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