Para os jovens que vivem o drama da escolha profissional, especialista informa que, seja qual for a área, competência pessoal é requisito básico para conquistar um lugar no competitivo mercado de trabalho
O momento de decidir o rumo profissional quase sempre é um drama. Quando o problema maior não é a escolha em si, a preocupação recai sobre o assustador mercado de trabalho. Se a globalização está aí, ceifando empregos e aumentando a competitividade, como garantir uma boa colocação ao sair da faculdade?
Para orientar os estudantes nesse delicado momento de vida, alguns colégios já incluem no ano letivo programações especiais, como acontece no Universitário, que vem organizando ciclos de informação profissional. A oitava edição do evento aconteceu recentemente, reunindo 40 profissionais das mais diversas áreas em palestras e mesas-redondas. Na pauta de discussões, informações sobre o curso, áreas de atuação, salários e especializações. Tudo para evitar que a escolha profissional não seja feita sem o conhecimento da realidade.
‘‘Quem trabalha na área acadêmica tem falado muito sobre o alto índice de desistência nos cursos de graduação’’, observa Rosa Maria Cardoso, psicóloga e coordenadora do terceiro ano do Colégio Universitário, alertando sobre a importância de disponibilizar o maior número possível de informações aos jovens. Para ela, a maior angústia do adolescente, hoje, é o mercado de trabalho. ‘‘Tentamos mostrar que a escolha deve ser baseada no gosto pela profissão, porque aí vai haver energia para investir nela’’, diz.
Desafios e sonhos As perspectivas do mercado e o perfil de cada profissional foram abordados em mesas-redondas, que também contaram com a presença de alunos e ex-alunos que estão tentando o vestibular. ‘‘Eles falaram sobre a importância de se ter uma meta e não desistir dos objetivos. Falaram de desafios, dificuldades e sonhos. Foi um momento tocante, de troca de experiências’’, conta a psicóloga. A importância da cumplicidade familiar nesse processo foi devidamente lembrada em uma palestra aos pais.
Oficinas de Culinária e de Jornalismo complementaram a jornada estudantil. ‘‘A idéia era oferecer um momento de descontração para que os alunos pudessem desenvolver uma habilidade. Na de Jornalismo, eles cobriram o evento e o material será publicado no jornal do colégio e na Internet e também exibido no canal 10’’, diz a supervisora do ensino médio, Verlaine Ferraresi, observando que o ciclo não é o único suporte, no colégio, que os alunos dispõem para a escolha profissional. ‘‘Desenvolvemos um projeto pedagógico batizado de ‘‘projeto de vida’’, que começa no primeiro colegial e tem um caráter interdisciplinar. O objetivo é inserir a reflexão e fazer o aluno começar a conhecer a si próprio e o que está a sua volta’’, diz.
O raciocínio é simples: ‘‘Se aprendeu a fazer escolhas desde cedo e a assumir responsabilidades, a pessoa vai saber discernir melhor a área de atuação, pois conhece as próprias características, aptidões e valores’’, justifica Rosa Maria.
Analfabetos emocionais De acordo com Sandra Maria Almeida Cordeiro, consultora da área de recursos humanos para empresas e professora temporária do curso de Serviço Social na UEL, o segredo do sucesso profissional está, sobretudo, no equilíbrio entre as partes física, intelectual, psíquica e espiritual. Segundo ela, é isso que as empresas buscam, atualmente, ao selecionar seus funcionários.
Assim, cai por terra a idéia de que a inteligência é o pré-requisito determinante para se dar bem profissionalmente. ‘‘Não adianta ser desenvolvido intelectualmente e não ter o lado psíquico bem trabalhado. A pessoa acaba sendo um analfabeto emocional’’, observa Sandra. E isso subtrai pontos numa seleção profissional. ‘‘As empresas precisam de pessoas que não tragam conflitos e saibam trabalhar em equipe’’, argumenta.
Sandra lista algumas competências pessoais que fazem com que os candidatos tenham mais oportunidades no atual mercado de trabalho: determinação (estabelecer metas e persegui-las com confiança); clareza na comunicação (expressar os pensamentos com coerência e objetividade); controle (saber controlar as emoções, pois sempre vai ser necessário administrar conflitos) e vivência internacional (ao ter contato com diferentes culturas, a pessoa vai adquirir maturidade profissional e aprender a respeitar as diferenças, além de dominar outro idioma, condição indispensável para entrar no mercado).
Outros quesitos que vêm sendo bastante discutidos atualmente, segundo a consultora, são os valores (aí estão incluídas qualidades como honestidade e educação) e a fé, pois sabe-se que o fato de acreditar em algo superior torna o indivíduo mais equilibrado e, portanto, melhor preparado para enfrentar as dificuldades do dia-a-dia. ‘‘Várias empresas estão desenvolvendo programas nessa área’’, informa Sandra.
Todas essas características, avisa a consultora, começam a se desenvolver, desde cedo, dentro da escola e da vida social. ‘‘A preocupação do estudante é não ter experiência ao sair da faculdade, mas se ele se envolveu com os estágios, participou de projetos na comunidade e fez uma viagem internacional, isso é currículo’’, afirma. É essa vivência, portanto, que vai trazer competência pessoal e maturidade para enfrentar o mercado.

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