A tristeza passageira no pós-parto
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sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
A descoberta da gravidez, o período de gestação e a chegada do bebê são momentos profundamente marcantes na vida da mulher. Mas o que era para ser pura alegria e contentamento pode se transformar em uma grande confusão de sentimentos, alguns deles não muito felizes.
Estudos mostram que de 50% a 85% das mulheres que acabaram de dar à luz apresentam um distúrbio conhecido como Disforia do Pós-Parto, ou Maternity Blues (Tristeza da Maternidade, traduzido do inglês). Ele se caracteriza por um período que começa cerca de dois dias após o parto e dura em torno de duas semanas, no qual a mulher apresenta vários sintomas de mudança no comportamento. ''A disforia lembra muito a TPM. A mulher fica irritada, cansada, desanimada, com oscilações de humor, indiferente ao bebê e hostil com o marido'', explica a psicóloga Marina Gomes Wielewicki.
Essas mudanças acontecem por dois motivos, segundo a especialista: alterações hormonais e psicológicas. ''O corpo da mulher sofre grandes transformações desde a descoberta da gravidez até a amamentação. Os níveis hormonais modificados podem causar uma mudança no comportamento. Outro fator é a rotina que a mulher passa a ter por causa da criança. As noites maldormidas e a necessidade de cuidar do bebê quase que integralmente geram um cansaço muito grande. Além disso, há o fator psicológico da chegada de um novo membro na família. É preciso saber se a mãe teve apoio da família e do companheiro durante a gestação e no cuidado com o recém-nascido, se não criou grandes expectativas, tanto positivas quanto negativas, se teve que abrir mão de algo importante para ser mãe'', explica.
De acordo com a psicóloga, a disforia tende a surgir com maior frequência nas primeiras gestações. ''Acreditamos que seja por causa da expectativa e da insegurança. Mulheres com gestações muito próximas também têm mais chances de desenvolver o problema, mais uma vez por causa do receio de ter duas crianças muito pequenas para cuidar'', diz.
Embora seja um distúrbio passageiro, a falta de conhecimento em torno da disforia pode agravar seus sintomas e causar confusão tanto na mãe quanto nos familiares. ''É muito comum as pessoas acharem que a mulher está com depressão pós-parto por causa dos sintomas, o que causa ainda mais angústia. Em outros casos os familiares acreditam ser apenas ''frescura'' e não têm paciência para lidar com as crises de humor. Saber que o problema existe, que ele passa em alguns dias e é normal, ajuda a mãe e a família a passarem por essa fase de forma mais tranquila'', comenta Marina.
O distúrbio não é tratável com medicamentos, mas saber lidar com seus sintomas é, de acordo com a psicóloga, fundamental para evitar que ele se agrave. ''A disforia pode levar à depressão em casos em que a mulher não recebe o apoio e a compreensão da família e do companheiro. O melhor a fazer é respeitar esse momento da mãe, ajudar nos cuidados com o bebê e não fazer cobranças para que a ela se sinta feliz o tempo todo. É preciso lembrar que a maternidade é uma grande mudança e pode levar alguns dias para que a nova mamãe se adapte. Para casos mais graves, o acompanhamento de um especialista pode ajudar'', completa.


