Elas podem ser confeccionadas a partir de galhos verdes, secos ou folhas artificiais. Podem ser decoradas com laços, flores, pinhas, bolas coloridas, frutas secas e até balas. O material não interessa, o mais importante é usar a criatividade e fazer com que o enfeite fique bonito e acolhedor, pois a guirlanda não é apenas um objeto decorativo, é um dos mais importantes símbolos do Natal.
O Padre Antonelo Cadedu, orientador espiritual da Renovação Carismática, explica que o surgimento da guirlanda data de muitos séculos. ''No século 2, os imperadores romanos já usavam o adereço como símbolo de honorificência.'' Segundo o padre, a Igreja Católica acabou adotando a guirlanda da cultura popular e a santificou. Hoje, faz parte das celebrações em homenagem ao nascimento do Menino Jesus. ''Ela significa festa, assim como as coroas de flores usadas em velórios, pois a morte também deve ser festejada porque a alma está subindo para o céu.''
Simbolismo mágico Mais antiga que o próprio cristianismo, de acordo com o livro Natal 2000 Anos de Tradições (editora Madras), de Benedito José Paccanaro, a guirlanda era confeccionada por vários povos, de diferentes religiões. O livro explica que os índios navajos americanos faziam guirlandas de ervas com funções terapêuticas e mágicas; os hindus as usavam para estimular a meditação; e os druidas, como proteção contra os maus espíritos.
Segundo o representante da Ordem Druídica Britânica no Brasil, Cláudio Quintino, autor de Mitologia Celta (editora Hi-Brasil), os celtas costumavam colocar guirlandas de azevinho em suas portas durante o inverno. ''Além de todo o simbolismo mágico que o círculo representa, o azevinho é uma planta que permanece verde durante todo o ano e os celtas a usavam em suas guirlandas para mostrar que a vida não se esgotaria durante o inverno.''
Cláudio destaca a importância do azevinho para o povo celta, que era usado ainda como planta medicinal. ''Os druidas (sacerdotes celtas) preparavam xaropes e emplastros para curar males típicos do inverno como resfriados e reumatismo.'' Para ele, a guirlanda foi incorporada e adaptada pela cultura cristã porque após o cristianismo as pessoas não quiseram se livrar de certos elementos pagãos.
Boas-vindas Para a decoradora Conceição Cipolatti, proprietária da empresa especializada em decoração natalina Cipolatti & Cipollati, de São Paulo, que decora shoppings do Brasil e da América Latina uma guirlanda na porta é sinal de boas-vindas. ''Essa coroa é um convite para entrar. Simboliza a vitória e o círculo da vida.''
A decoradora acha que uma bela guirlanda precisa ter um laço, de preferência vermelho. ''Mas, hoje, isso até que está bem variado. O laço pode ser dourado, prateado, listradinho...'', diz Conceição, que dá uma dica: para um laço perfeito, é necessário ao menos um metro e meio de fita.
Para quem deseja confeccionar a guirlanda na véspera do Natal, Conceição sugere as de flores naturais, como o antúrio, mas salienta que as artificiais, feitas com poinsétia vermelha, não deixam nada a desejar. n

mockup