A síndrome de Caim
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de novembro de 1997
Celso Mattos 
A inveja é uma velha conhecida de todo mundo. Desde que Caim matou Abel, esse sentimento assumiu requinte de maldade, virou objeto de pesquisa para muitos estudiosos e também motivo de piada em rodas de amigos. Dizer Ai, que inveja!, é uma das expressões mais citadas e não chega a prejudicar ninguém. Mas, a coisa se complica quando sai do campo da brincadeira e assume proporções mais sérias.
A inveja tem suas vítimas prediletas que são aquelas pessoas que estão sempre em evidência. Alvos preferidos dos invejosos, elas precisam aprender a contornar o problema com muito jogo de cintura. A empresária Fátima Nonino abre o jogo e diz que tem consciência de que muitas pessoas a invejam. Mas eu dou a volta por cima e procuro transformar isso em algo positivo para minha vida. Para não decepcionar aqueles que têm inveja de mim, procuro produzir ainda mais e mostrar o quanto sou capaz. Enfim, me sinto mais responsável por aquilo que faço, afirma ela.
Arquivo/FLPara o
cabeleireiro
Beto Maran,
a inveja é
um sentimento
mesquinho
Admiração Para Fátima Nonino, a inveja é um sentimento pobre e só as pessoas que não se valorizam perdem tempo com esse tipo de coisa. Quem realmente trabalha e vai à luta não tem motivos para ter inveja de ninguém. Eu nunca ganhei nada de graça e, se hoje ocupo uma posição de destaque, foi através de muita batalha. A empresária acredita também que a inveja é resultado de uma opinião errada que as pessoas têm a seu respeito. Elas pensam que eu tenho uma vida glamourosa e que estou sempre rodeada de gente bonita e famosa, mas não é nada disso. Sou uma trabalhadora como qualquer outra, assegura Fátima Nonino.
Apesar de saber que a inveja existe, o cabeleireiro Beto Maran não acredita ser uma pessoa que desperte esse tipo de sentimento. Nunca parei para me preocupar com isso porque, pra mim, a inveja só faz mal para quem a cultiva. É muita pobreza de espírito querer ser aquilo que não se é. Acho saudável admirar uma pessoa e buscar uma identificação com ela, mas sem perder de vista a própria individualidade. Cada um deve traçar seu próprio caminho e acreditar naquilo que faz. Essa é a receita do sucesso, defende Beto Maran.
Para ele, todo mundo tem capacidade para conseguir o que deseja sem necessidade de invejar o que é do outro. Para isso, basta ir à luta. Se hoje sou um profissional bem-sucedido, consegui essa posição com muito trabalho. Na minha opinião, as pessoas invejosas não se dão o devido valor. É um sentimento mesquinho e digno de pena, afirma o cabeleireiro.


