Escolher a melhor escola para matricular os filhos não é tarefa fácil. Com a cobrança do mercado de trabalho e a falta de tempo dos pais para educar e transmitir valores, cada vez mais cresce a busca por escolas que ofereçam mais do que o currículo convencional. Já não basta às instituições de ensino transmitir o bê-a-bá tradicional; atividades extras como aulas de xadrez, inglês, natação se tornaram quase que obrigatoriedade para atrair os pais e conquistar os alunos.
A metologia de ensino das escolas mudou bastante nos últimos anos. Aquela imagem autoritária do professor e regras rigorosas de conduta estão dando espaço para o diálogo e o debate de normas de convivência. Segundo Ieda Alves Gomes, diretora educacional do Colégio Londrinense, o autoritarismo de antes foi substituído pela autoridade consciente. ''O aluno aprende que deve respeitar para ser respeitado. E isso deve acontecer na relação entre aluno e professor e entre os alunos'', comenta. Ela diz que hoje existe mais conversa e intimidade entre alunos e professores, mas o respeito ainda é mantido. Os professores acatam a opinião dos alunos e eles, por sua vez, ouvem a posição dos professores e aprendem a respeitar regras sem grandes dramas.
Limites De acordo com a coordenadora pedagógica do Colégio Maxi, Sueli Sabóia, as crianças precisam de limites e, devido à ausência dos pais no dia-a-dia, muita vezes é função da escola transmitir esses valores. ''Muitos pais tentam compensar a distância com muitas concessões. A relação entre professor e aluno está mais forte e íntima, mas é preciso que os alunos saibam lidar com o respeito'', completa. Na Escola Alfa, conhecida por oferecer um sistema de ensino diferenciado, a liberdade dos alunos está intimamente ligada ao questionamento e ao senso crítico. Segundo a diretora geral da escola, Solange Gomes Fávaro, os alunos são estimulados a fazer perguntas e questionar os professores em sala. ''Nossos alunos são muito críticos e aprendem a perguntar tudo o que acham importante. Eles precisam saber porque estudam e ver no professor uma pessoa legal, mas que merece respeito'', completa.
Uma maneira usada nas escolas para garantir o bom relacionamento entre alunos e professores é determinar regras de convivência nos primeiros dias de aula. Na St. James International School, os alunos elaboram cartazes com normas discutidas em sala e apontadas por eles próprios como importantes. A coordenadora geral da escola, Marli Lachner, diz que assim fica mais fácil para os alunos seguirem as regras e serem cobrados. ''Com o tempo, a regra passa a ser algo normal para eles, aí ela é retirada do quadro e, às vezes, substituída por outra, sempre com a participação dos alunos'', afirma.
Tradição Para aqueles pais tradicionais e preocupados com questões cívicas e religiosas, os colégios confessionais acabam sendo os escolhidos. No colégio Marista, os alunos aprendem a cantar os hinos e recebem aulas de religiosidade. Segundo a diretora educacional da escola, Marise Rufino, tanto o civismo como a espiritualidade ajudam a transmitir valores para os alunos. ''Nosso objetivo é oferecer uma educação integral. Isso significa oferecer ao aluno conteúdo informativo, espiritual e lazer. Para isso, eles têm, desde pequenos, aulas de formação pessoal, onde ouvem e falam sobre respeito, deveres e direitos'', afirma.
Uma escola que ofereça mais do que o conteúdo obrigatório dos programas de disciplinas também tem sido a preocupação dos pais. Mais uma vez, a falta de tempo faz com que eles optem por colocar os filhos em colégios que ofereçam atividades extras aos alunos. É para agradar esses pais que várias escolas já oferecem em seus currículos aulas de xadrez, reforço escolar, esportes extras e aulas de música. Marli afirma que os pais buscam uma escola que tire das costas das mães a tarefa da ''mãetorista'', aquela que passa o dia levando e buscando os filhos de uma atividade para outra. ''Se a escola oferece atividades extras, os pais deixam os filhos e só voltam para pegá-los quando eles tiverem terminado tudo. Alguns almoçam na escola e passam o dia todo aqui'', diz Marli Lachner.
Atualidades Assuntos atuais, como drogas e sexualidade, também já estão nas pautas das escolas. Em algumas, esses temas fazem parte das aulas de ciência e formação pessoal. Em outras, os alunos assistem palestras e vídeos sobre o assunto, mas em todas, as dúvidas podem e devem ser respondidas e discutidas em sala, respeitando o nível de compreensão de cada idade. ''É importante que os professores tenham sempre formação superior e até mais, como especializações, mestrado. Isso porque nesses cursos eles recebem orientação de como tratar esses assuntos com as crianças da melhor forma possível'', afirma Sueli Sabóia.
Outra preocupação dos pais é com relação à alimentação dos filhos nas escolas. Com a difusão da alimentação saudável e da nutrição na nossa sociedade, as tradicionais cantinas, com frituras, doces e refrigerantes, se tornaram vilões para as crianças. A solução adotada pelas escolas, pelo menos no controle da alimentação dos alunos de pré e ensino fundamental, foi abolir as guloseimas ou fornecer o lanche. Balas e chicletes não entram e as cantinas são proibidas de vender alimentos gordurosos e refrigerantes no horário de recreio das crianças. Em algumas escolas, um nutricionista monta o cardápio e fiscaliza os produtos da cantina, em outras uma lista é fornecida aos pais com o cardápio para semana. ''Dessa forma a gente evita que haja muita diferença entre as crianças. Apenas uma vez por mês eles têm o dia do lanche livre, onde os alunos podem trazer o que quiserem para a escola'', diz Solange Gomes Fávaro.
Para evitar as brigas durante o lanche e em outras horas do dia, o método adotado pelos professores é o diálogo. Seja para incentivar um aluno a dividir o lanche com outro ou para ensinar que xingar é feio, mostrar para a criança como ela se sentiria se estivesse na situação do outro e qual é a melhor maneira de agir é a recomendação dada aos professores. ''Nas turmas dos pequenos, até os materiais ficam na escola e são divididos pelos alunos durante as aulas. Assim, eles aprendem a ser solidários e não serem egoístas'', afirma Ieda Alves Gomes.
Punições Quando a briga fica feia e a indisciplina continua mesmo depois da conversa, as regras antigas continuam valendo e são respeitadas em todas as escolas. O aluno é advertido, os pais são comunicados e, se o comportamento não melhorar, é possível que ocorram as antigas suspensões e expulsões. ''Os alunos conhecem as normas e sabem que devem respeitá-las. Em casos extremos, que são raros, podem ser tomadas medidas mais sérias'', diz Marise Rufino. ''Hoje as crianças são muito mal-educadas. Mesmo tendo liberdade de questionar e falar o que pensam, elas precisam aprender a fazer isso de forma respeitosa'', completa Solange Gomes Fávaro.
É nessa hora que entra a participação dos pais no trabalho da escola. Nos primeiros dias de aula dos pequenos, eles são convidados pelas escolas a ficarem com os filhos até que eles se sintam seguros sozinhos. Depois disso, pedagogos, psicólogos e orientadores estão sempre à disposição dos pais, mantendo-os informados sobre a conduta dos alunos e seu desempenho. ''Não existe aprendizado isolado, a participação da família é essencial nos primeiros anos, onde está sendo formado o caráter do aluno'', ensina Ieda.
Ensino Mas a qualidade do ensino continua sendo fundamental para garantir a matrícula dos pequenos. E ela deve ser observada desde a pré-escola. Uma boa proposta pedagógica e professores bem preparados e treinados são fundamentais para assegurar que as crianças vão aprender o conteúdo e gostar de frequentar a escola. ''O grupo Marista possui três centros de treinamento e os nossos professores realizam cursos com frequência. São eles que estão em contato direto com o aluno e precisam estar preparados para informar e formar'', afirma Marise. ''Na hora de procurar uma escola para matricular os filhos é importante que os pais observem se aquilo que é dito também é feito pelos professores'', alerta Marli.
Para garantir que as crianças realmente vão aprender, muitas escolas já oferecem aulas de reforço para aqueles que têm maior dificuldade. Muitas adotam um número reduzido de alunos até o fim do ensino fundamental, para que o professor dê mais atenção a cada um. ''Nossas turmas têm poucos alunos e dois professores em sala o tempo todo. Um fica no quadro e outro, circulando pela sala e tirando dúvidas. Dessa forma é possível perceber as dificuldades de cada um'', comenta Ieda. Aulas de informática e inglês também ajudam no aprendizado e facilitam a vida no futuro. Passeios, trabalhos extras e incentivo à leitura foram apontados como boas características para se observar nas escolas. Mas a dica passada por todos os entrevistados é sempre procurar uma escola que tenha o mesmo pensamento dos pais e onde as crianças se sintam felizes. Assim, o aprendizado acontece de forma natural e saudável.

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