A saúde da mamãe
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de maio de 2003
Da Redação 
Rubéola na gravidez
A rubéola é uma doença infecciosa, causada por um vírus, e o seu contágio ocorre por via respiratória. Durante a gestação, o vírus é transmitido da mãe para o feto a chamada de Síndrome da Rubéola Congênita (SRC). E considerada a mais grave, por oferecer possíveis e sérias complicações ao feto. ''Os riscos estão associados com a precocidade do seu aparecimento durante a gestação. Caso a infecção ocorra nas primeiras semanas, os riscos serão maiores do que ao final da gravidez'', explica o ginecologista e obstetra Eduardo Zlotnik, de São Paulo.
A infecção pelo vírus da rubéola durante a gestação pode provocar, inclusive, um aborto espontâneo. Entre as complicações que podem ocorrer ao feto pela malformação congênita constam retardo mental, microcefalia, surdez, catarata, glaucoma e icterícia. ''A única forma de prevenção contra a SRC é um rigoroso controle através de exames sanguíneos. Como não existe um tratamento específico à doença, vacinar-se contra o vírus é a melhor solução'', diz o médico, que faz um último alerta: ''A vacina não pode ser aplicada na mulher que já está grávida. E, após tomar a vacina, é recomendável aguardar um mês para engravidar''.
Toxoplasmose congênita
Obstetras devem ficar atentos a qualquer manifestação no organismo da gestante provocada pelo protozoário Toxoplasma gondii, causador da toxoplasmose. A doença pode ocasionar sérias lesões ao feto. Essas lesões podem ocorrer durante qualquer fase da gravidez ou até mesmo após o nascimento do bebê. ''Isso acontece quando a infecção materna se verifica na última semana antes do parto'', explica Eduardo Zlotnik.
A transmissão da doença se dá da mãe para o feto através da placenta e, consequentemente, do alojamento do protozoário nos tecidos fetais. Segundo o médico, as principais lesões que podem ocorrer na criança são modificações no volume do crânio, retardamento mental, anemia e alterações oculares. ''Mas, se a doença for diagnosticada precocemente, através de exames sorológicos, é possível realizar um tratamento eficaz que atenue a ação do protozoário sobre o feto e até livrá-lo de qualquer risco'', diz o médico.
O tratamento da doença, no caso da toxoplasmose congênita, pode durar até um ano. Sulfadiazina, pirimetamina e ácido fólico são os medicamentos utilizados no tratamento, em dosagens ministradas pelos médicos. A prevenção à doença pode ser feita evitando a ingestão de alimentos crus ou malcozidos, boa higiene das mãos, principalmente após contato com carnes cruas ou com a terra, e também incinerando as fezes dos gatos, o principal hospedeiro do protozoário.
Pressão alta no inverno
Durante o inverno, pressão alta é um dos problemas que mais acomete as mulheres grávidas. As que mais estão suscetíveis ao problema são as mamães de primeira viagem. Mas as mulheres abaixo dos 18 anos e acima dos 35 tendem também a sofrer pressão alta durante o inverno, principalmente a partir da vigésima semana de gestação, afirma o obstetra..
''A pressão alta pode trazer problemas de rins, desmaios e fortes dores de cabeça. Em casos mais graves, até convulsão'', explica o médico. Para o feto, a alta pressão sanguínea da mãe pode diminuir o volume de sangue na placenta, resultando em um bebê menor que o normal ou pode ainda retardar o crescimento intra-uterino. Até o momento, não existe uma explicação consensual sobre os motivos de o problema se acentuar no frio.
Pernas bonitas antes e depois
Vasinhos e varizes afetam as mulheres de diferentes formas, antes de o bebê nascer, no pós-parto e, em especial, quando as crianças já estão crescidas. O cirurgião vascular Kasuo Miyake, doutor em Cirurgia Vascular pela USP e diretor da Sociedade Brasileira de Laser em Cirurgia, aponta as soluções que devem ser buscadas pela mamãe em cada fase.
A gravidez é uma das principais causas das varizes. O aumento de peso, alterações hormonais, a compressão do útero sobre a veia cava e o aumento do volume de sangue, que sobrecarrega as veias durante a gestação, são fatores que propiciam o surgimento de vasinhos. Há como minimizar o problema: basta tomar alguns cuidados básicos, como alimentação balanceada, para ajudar a manter o peso, muita hidratação, exercícios físicos (sempre respeitando as indicações médicas) e movimentação constante das pernas, para ajudar o bombeamento do sangue. Só se deve usar meias elásticas depois de conversar com um cirurgião vascular. Ele vai avaliar, caso a caso, se elas serão benéficas.
Depois de três meses do nascimento do bebê, a mamãe poderá procurar um médico para tratar os vasinhos. Alguns dos vasos formados durante a gravidez sumirão logo após o parto. O tratamento indicado é bastante simples e indolor: ''As aplicações de laser ou de injeções de glicose, aliadas ao aparelho Cryo5 (que solta jatos de ar congelado na pele e evita as dores) costumam dar conta do problema'', explica Miyake. Mesmo no caso de varizes maiores, que requerem uma cirurgia, o avanço nas técnicas de anestesia tornaram o procedimento muito mais seguro. A operação pode ser marcada para quando o bebê tiver seis meses.
Com os filhos crescidos, é hora de a supermãe investir no próprio corpo. Novamente, uma série de aplicações de laser ou injeções de glicose vão sanar os vasinhos mais finos e aparentes. A técnica cirúrgica conhecida como ''agulha de crochê'' vai dar conta das varizes que alimentam as veias menores. Mas Miyake lembra que a garantia de pernas bonitas está também em alguns cuidados tomados em casa: ''É essencial que as mulheres se exercitem, o que ajuda na circulação sanguínea, mantenham o peso e evitem ficar muito tempo sentadas ou em pé'', diz o cirurgião. n


