A representação do Natal
A representação do Natal
Arquivo FolhaO primeiro presépio que se tem notícia foi montado por São Francisco de AssisAgência Estado
No fim da Idade Média, durante o Natal, costumava-se decorar as salas com galhos de sempre-verdes. Uma das primeiras descrições sobre esse costume está no conto O Quebra-Nozes e o Rei dos Ratos, escrito pelo alemão E. T. A. Hoffmann, em 1816. A enorme árvore de Natal trazia penduradas muitas maçãs de ouro e prata, escreveu Hoffmann. Amêndoas açucaradas, bombons coloridos e outros doces deliciosos brotavam como rebentos, além de flores, por todos os ramos.
Naquele tempo, decorar uma árvore para o Natal ainda era algo recente. Já o primeiro presépio de que se tem notícia foi montado por São Francisco de Assis, em um bosque perto de Greccio (Umbria, Itália). Hoje, graças à tecnologia, as árvores e os presépios ganham estilos mais sofisticados, mas a tradição da simplicidade continua em muitas partes do mundo.
A Igreja considerava um hábito pagão o de ornamentar as salas com galhos de sempre-verdes, e as autoridades proibiam o corte dos ramos por considerá-lo prejudicial às florestas. As ramagens eram usadas para espantar os demônios entre o Natal e a Epifânia, mas a árvore de Natal era tida como árvore do Paraíso e acabou ganhando cada vez mais popularidade.
No início eram pendurados apenas enfeites comestíveis, como frutas, doces e nozes. A partir do século XVII, as árvores passaram a ser enfeitadas com cascas vazias de ovos cobertas com finas folhas de latão martelado, flores de papel e algodão. A partir de 1848, surgiram as primeiras bolas, feitas de vidro transparente ou colorido, com revestimento interior de chumbo. O processo foi inventado pelos assopradores de vidro de Lauscha, na Turíngia (antigo país situado na região da Alemanha Central).
Lauscha manteve-se como o principal produtor de enfeites natalinos durante muitas décadas, até enfrentar a concorrência de Gablonz, na Boêmia, nos anos 20, e, pela ordem, dos japoneses, poloneses e americanos. Hoje, os chineses também dominam uma boa fatia desse mercado, com enfeites mais incrementados.
PresépiosSegundo um relato do ano de 1223, São Francisco de Assis montou o primeiro presépio da História, mas nele não havia um Menino Jesus. Na concepção do santo, não era possível que um mortal representasse Nosso Senhor. O resto do cenário estava completo: José, Maria, bois, mulas, pastores e rebanhos.
Alguns pesquisadores defendem a tese de que já era possível encontrar menções de representações de Jesus na Igreja primitiva, pois nas catacumbas de Roma foram encontrados afrescos e sarcófagos com baixos-relevos representando cenas natalinas, sem ter, no entanto, a característica tridimensional do presépio.
No Brasil, apesar dos poucos registros a respeito, sabe-se que, em 1532, o padre José de Anchieta contava com a ajuda dos índios para modelar pequenas figuras em barro representando o presépio. A difusão do costume aconteceu nos séculos 15 e 18, por iniciativa dos padres jesuítas.
Seguindo uma linha que pode ser verificada em todo o mundo, aos poucos as figuras dos presépios vão ganhando as feições de seu local de origem. No Brasil, foram incorporadas lavadeiras, mulheres dando milho para as galinhas e outras cenas mais rurais, além de figuras folclóricas.





