A química invade a cozinha
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quinta-feira, 12 de agosto de 2004
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Transformar a culinária em algo atrativo para os jovens, usando para isso as reações químicas de determinados ingredientes, parece uma tarefa impossível. Mas é o que vem acontecendo com os alunos do curso de turismo e hotelaria da Unopar de Londrina. Durante as aulas de alimentos e bebidas, o professor de gastronomia e chef de cozinha Djalma Araújo não oferece receitas prontas, mas, sim, maneiras de os alunos obterem o resultado desejado juntando os produtos aos processos necessários.
''Sabendo a fórmula e entendendo como cada alimento reage ao contato com o calor, tudo é possível. Um caso simples é o processo para fazer doces de frutas. Se você juntar a fruta ao açúcar vai ter uma geléia. Se você acrescentar água vai obter uma compota. Isso porque a água muda o ponto do açúcar e a ação dele na fruta'', explica Djalma. É essa maneira de ver a cozinha que vem agradando tanto os alunos e fazendo surgir novos talentos. ''Tenho alunos que começaram o curso dizendo que iam reprovar por que não sabiam nem fritar um ovo e, agora, estão fazendo o almoço de domingo em casa e descobrindo um novo campo para trabalhar'', conta.
O sistema, segundo Araújo, também ajuda a desenvolver a criatividade dos alunos, item fundamental para se formar um bom chef de cozinha. ''Entendendo como as coisas funcionam e reagem, eles podem mudar ingredientes e métodos e criar pratos novos. Com algumas batatas dá para fazer uma infinidade de coisas. Você pode só fritar ou só cozinhar. Mas você pode cozinhar e depois fritar. Ou então cozinhar, empanar e fritar; cozinhar, rechear e fritar ou assar. Dá para fazer uma comida diferente a cada dia'', ensina.
Para obter um bom resultado, algumas técnicas de cozinha são necessárias. ''Mesmo conhecendo as fórmulas, a pessoa precisa saber o que fazer para conseguir bons resultados. Um bom exemplo disso é fritar um ovo. Parece simples, mas quando se trabalha em um lugar onde a gema deve ficar bem no meio e redondinha, como em hotéis e restaurantes, é preciso conhecer a técnica para isso. A química entra na questão da quantia de óleo necessária e o tempo e intensidade do fogo'', explica.
A apresentação dos pratos é outro fator importante para quem trabalha com comida. Além de fórmulas e técnicas para a produção das receitas, os alunos também aprendem a montar os pratos de forma harmoniosa e atraente. ''Aquela história de que nós comemos primeiro com os olhos é verdade. Digo sempre para os alunos que a comida tem que ter cor, textura, forma e sabor. Se um desses itens faltar, o cliente perde o desejo de voltar'', afirma.
Na tentativa de estimular o lado artístico, os futuros profissionais são incentivados a trabalhar com alimentos de cores e formatos diferentes. ''Fui a uma festa em que foi servido arroz branco com peixe ao molho branco e purê de batatas. O prato não tinha cor nenhuma, não dava água na boca'', conta. ''Um prato bonito precisa ter várias cores e formatos. O arroz pode ser servido em forma redonda, a carne retangular e os legumes em cubos e tiras. Se estiver assim e a comida bem-feita, é certeza que o cliente volta'', garante.


