A questão da responsabilidade
A questão da responsabilidade
Arquivo FolhaPara a psicóloga Silvia Murari, o objetivo da mesada deve ser o desenvolvimento de habilidades de comportamento como responsabilidade, limites e valores
A mesada tem uma função específica no dia-a-dia do jovem. Mais importante que o valor estipulado a ser ganho, ela conta pela responsabilidade que possibilita. O destino da mesada é diferente e as cobranças também são dependendo da faixa etária dos filhos. Essa diferença é gritante, principalmente entre crianças até 12 anos, e adolescentes a partir dos 13.
De qualquer modo, o importante é que os pais se adaptem às condições do filho. Segundo a psicóloga Silva Murari, os pais devem deixar bem claro qual o objetivo da mesada. O que a criança terá que pagar com ela, estabelecendo todos os critérios, como num contrato. Numa classe mais baixa, R$ 10,00 podem ser um dinheiro que dê para várias coisas. Já numa classe alta, o mesmo valor mensal, para comprar miudezas e lanches, será algo inviável. O pai, com certeza, terá que complementar, explica a psicóloga.
É importante que os pais levem em conta a realidade da criança para que não fiquem mudando os critérios que eles mesmos estabeleceram. Se isso acontecer, o propósito da mesada acaba se perdendo. O desenvolvimento de habilidades de comportamento como responsabilidade, limite e valor não será possível com a quebra de regras pré-estabelecidas, diz Silvia.
Segundo ela, uma criança que guarda dinheiro durante meses para comprar um brinquedo dará um valor especial àquele objeto e se sentirá recompensada pelo esforço de espera. Esse tipo de situação é um aprendizado importante.
Nos casos em que a criança não aguenta esperar e os pais adiantam a mesada, Silvia explica que não há problemas, desde que o dinheiro seja cobrado depois. O que importa é o trato entre pai e filho. O que não vale é ceder, voltar atrás no que foi combinado, alerta.
Para a psicóloga, a mesada não pode ser dada sem objetivo. O pai que dá mesada para o filho só porque o vizinho também dá, somente fará com que essa criança seja gastadora. É importante que por trás desse ato exista uma função educativa, explica.
Do mesmo modo, a mesada não pode ser usada com finalidade de recompensa, a não ser em situações compatíveis com dinheiro. Por exemplo, oferecer ao filho um dinheiro como pagamento por lavar o carro. Mas nunca oferecer algo como recompensa por passar de ano. Se não houver tato em situações como essas, a criança vai aprender a chantagear e crescerá com regras erradas. Afinal, no futuro ninguém oferecerá a ela qualquer tipo de presente por ser bem- comportada ou por fazer coisas que devem ser feitas, diz.





