A produção da beleza
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quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Angela Raizer Barbosa 
Fotos: DivulgaçãoO rosto 98 by Christian Dior: a cor da maquiagem resume-se aos tons neutros, do bege ao branco, dando luminosidade e expressão aos olhosA existência de produtos para maquiar o rosto é tão antiga quanto a história da civilização. Mulheres vaidosas como Cléopatra já abusavam de extratos naturais para conquistar os homens. Sabe-se que a sedutora rainha do Egito alongava seus olhos com um pigmento escuro feito de fuligem obtida da queima de plantas e sementes, coloria as pálpebras com minerais verdes e azuis e usava carmim extraído de um inseto para deixar seus lábios vermelhos. Esta era apenas parte do arsenal utilizado há mais de dois mil anos, muito antes de batons, sombras e rímeis adquirirem a forma atual.
A maquiagem começou ganhar forma e qualidade com o advento do cinema, popularizando-se através da ligação apaixonante do público com as estrelas da telona. Pola Negri, Greta Garbo, Joan Crawford, Marlene Dietrich, Marilyn Monroe, só para citar algumas, influenciaram as mulheres que passaram a usar pós e batons para ficar com o rosto das divas cinematográficas maquiadas pelo célebre Max Factor, fundador da indústria do mesmo nome.
Máscara Flash Dior, uma espécie de rímel para colorir os cabelos com reflexos, em cinco cores. A tintura não escorre e sai na lavagem
Se na década de 50 os símbolos dos anos dourados eram as atrizes hollywoodianas, os anos 60 foram marcados pela forte influência da moda e das modelos que começavam a ganhar o status de estrelas. O rosto franzino e os olhos enormes da modelo Twiggy ganharam as passarelas e as capas de revistas no início dos anos rebeldes. Seus cílios, com toneladas de rímel, e os lábios, acentuados pelo lápis, ditaram moda. Já nos anos 70 foi o movimento hippie que deixou suas marcas com tons sóbrios ou muito coloridos.
Diorific, o batom de longa duração em 11 tonalidades com filtro solar
Apesar dessa liberdade de escolha, foi somente nos final dos anos 80 e início desta década que a maquiagem se tornou mais democrática. Nos lábios, todas as cores foram permitidas, do vermelho ao rosa até chegar ao atualíssimo tom de boca, criando um look mais natural. No verão 97/98, as grandes marcas de cosméticos continuam apostando nos tons pastel, que ganham efeitos luminosos no brilho dos batons e nas sombras cintilantes. Mas, seja qual for a tendência predominante, uma coisa é inquestionável: batom, sombra, rímel, pó e blush vão continuar sendo as grandes armas das mulheres na luta para um rosto cada vez mais bonito. E, se depender da indústria de cosméticos, elas vão ficar cada vez mais lindas e bem-equipadas.
O Rouge Stylo Arcancil, batom-caneta de longa duração made in France
Foi o que se viu na 7ª Cosmética - Feira Internacional da Beleza, realizada recentemente em São Paulo. Com a participação de 350 empresas e lançamento de mais de 400 produtos, a feira apresentou o que há de mais moderno nesta área. Apesar de pagar a mais alta taxa tributária do mundo (93,5%), a indústria cosmética brasileira é a quinta do mundo, com um faturamento de R$ 4,6 bilhões em l996.


