Quan­do o re­ló­gio des­per­ta, Ivâ­nia Mo­rat­ti, 60 ­anos, se apres­sa em dei­xar a ca­sa em or­dem, ­pois o tem­po é ­mais que pre­cio­so pa­ra ela e pa­ra as ­mais de mil es­pé­cies de or­quí­deas cul­ti­va­das em seu jar­dim.
  A de­di­ca­ção des­sa pro­fes­so­ra apo­sen­ta­da é ta­ma­nha que ela nem con­se­gue con­tar as ho­ras in­ves­ti­das no ­hobby. ‘‘Ah, de­di­co o dia to­do por­que ca­da es­pé­cie tem um es­ti­lo de re­ga e ­adubação’’, ex­pli­ca Ivâ­nia, que tam­bém gos­ta de co­lher as flo­res pa­ra en­fei­tar a ca­sa. ‘‘Meu quin­tal nun­ca dei­xou de ter uma ­flor aber­ta. Ca­da épo­ca do ano é uma ­espécie’’, diz.
  E nem é pre­ci­so en­ten­der do as­sun­to pa­ra des­co­brir que é tem­po de flo­ra­ção da Den­dro­bium - es­pé­cie co­mum e de fá­cil fi­xa­ção -, ­pois no quin­tal de Ivâ­nia ­elas ga­ran­tem be­le­za por to­dos os can­tos, den­tro e fo­ra da ca­sa.
  A cul­ti­va­do­ra con­ta que es­sa ad­mi­ra­ção vem des­de pe­que­na, quan­do ob­ser­va­va o es­me­ro da mãe em cui­dar das or­quí­deas no sí­tio da fa­mí­lia. Ela lem­bra que é pro­te­to­ra des­sas flo­res há ­mais de 50 ­anos, e jus­ti­fi­ca a pai­xão com jei­to de ­quem apren­deu um no­vo ta­len­to. ‘‘Or­quí­dea é um fei­ti­ço, um ví­cio. ­Elas re­pre­sen­tam ­mais que um pas­sa­tem­po, ­pois pa­ra mim é co­mo rea­li­zar uma ta­re­fa e, no fi­nal, con­quis­tar be­lís­si­mos re­sul­ta­dos. Só de­pen­de de ­amor, tem­po e ­dedicação’’, con­ta Ivâ­nia, que sem­pre bus­ca di­cas de cul­ti­vo em li­vros, re­vis­tas, in­ter­net e even­tos es­pe­cí­fi­cos, co­mo a 11ªFei­ra de Or­quí­deas, que se­gue até do­min­go no Ar­ma­zém da Mo­da.
Es­pé­cies ra­ras e cul­ti­vo
  Na co­me­mo­ra­ção dos ­seus 15 ­anos em Lon­dri­na, o Ar­ma­zém da Mo­da se­dia a 11ªFei­ra de Or­quí­deas, pro­mo­vi­da pe­la As­so­cia­ção dos Flo­ri­cul­to­res da Re­gião da Ro­do­via Du­tra de São Pau­lo (­Aflord).
  ­Além da enor­me va­rie­da­de de es­pé­cies co­mer­cia­li­za­das, o pú­bli­co po­de­rá apren­der nes­te fi­nal de se­ma­na as téc­ni­cas de cul­ti­vo e pai­sa­gis­mo no cur­so do pro­fes­sor Ri­car­do Fa­ria, que tem pós-dou­to­ra­do em agro­no­mia pe­la Uni­ver­sity of Flo­ri­da e é pes­qui­sa­dor na Uni­ver­si­da­de Es­ta­dual de Lon­dri­na.
  Se­gun­do An­ge­la Gon­çal­ves Su­zu­ki, res­pon­sá­vel pe­lo ge­ren­cia­men­to e mon­ta­gem da fei­ra, as or­quí­deas es­tão sen­do co­mer­cia­li­za­das a par­tir de R$ 9. Já as ­mais ca­ras po­dem che­gar a R$ 150. ‘‘São es­pé­cies ra­ras, que de­mo­ram em mé­dia cin­co ­anos pa­ra pro­du­zir a pri­mei­ra ­florada’’, diz.
  Os pes­qui­sa­do­res en­ten­dem que os es­tu­dos so­bre a plan­ta são mui­to im­por­tan­tes por­que apre­sen­tam de­ta­lhes de uma das es­pé­cies ve­ge­tais ­mais re­sis­ten­tes em ter­mos de adap­ta­ção, ­além de pe­cu­lia­ri­da­des de cor, for­ma e per­fu­me.

SERVIÇO
11ª Feira de Orquídeas, no Armazém da Moda até domingo, dia 13
Horário: hoje e amanhã, das 9h às 21h; domingo, das 14h às 18h
As inscrições para o curso de cultivo e paisagismo custam R$ 10 e podem ser feitas pelo telefone (43) 3348-0154.

mockup