A preparação chega aos berçários
Para os professores que trabalham no ensino fundamental e médio, preparar-se durante as férias dos alunos e no decorrer do ano letivo é praticamente um hábito necessário. A novidade é que essa rotina também está fazendo parte dos professores da educação infantil.
Vistas até pouco tempo como instituições cuidadoras, as pré-escolas, jardins e berçários assumiram um papel educador que exige das 'tias' preparação e conhecimento teórico. ''A visão puramente assistencialista, de cuidar da comida, sono e higiene das crianças acabou. As escolas hoje precisam estimular os alunos e ter um papel pedagógico. Os professores são formados ou estudam em universidades e conhecimento sobre o trabalho'', afirma a coordenadora do Meu Chocolate, Cassiana Magalhães Raizer.
Como essas escolas não fecham e continuam recebendo muitas crianças para atividades de lazer, os professores aproveitam esse período se preparando para receber os novatos. ''Todos os funcionários participam de reuniões para discutir como ajudar na adaptação dos alunos à escola, como lidar com o choro deles, com as mordidas que os menores dão um no outro, como colocar limites. Isso é importante paralidar com a criança'', afirma.
A parte pedagógica também é assunto antes do retorno dos alunos. ''As crianças de hoje são muito espertas e querem aprender as coisas. Fazemos reuniões para discutir as fases infantis e o que cada criança pode aprender, como usar o lúdico para estimular o aprendizado'', diz a orientadora pedagógica do Gato Xadrez, Ângela Alves Ferreira Guerra.
Na escola Desafio, os professores utilizam o referencial curricular do Ministério da Educação para formar a base de seu projeto pedagógico no início do ano. ''Os professores preparam algumas atividades a partir desse currículo e acrescentamos outras de acordo com o interesse dos alunos. Com crianças pequenas, é preciso estar muito preparado porque a atenção delas é curta e a aula precisa ser dinâmica'', comenta a supervisora pedagógica da escola, Ivone Cavalcanti Francovig.
Nas três instituições, as reuniões semanais ou quinzenais também acontecem para debater os problemas e enriquecer as aulas. ''Os estudos e o trabalho fora da sala de aula dão confiança ao professor. Sem eles, a escola funcionaria, mas de uma maneira muito deficitária para os alunos'', afirma a diretora da Desafio, Maria Raquel Pelissari Morais. (H.F.)





