A praga da cólica
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quinta-feira, 12 de setembro de 2002
Da Redação 
Dores intensas, irritação e até incapacidade para trabalhar. Estes são apenas alguns dos efeitos causados pela dismenorréia primária, ou cólica menstrual, problema que atinge cerca de 50% das mulheres jovens em todo o país. Desse porcentual, 10% sofrem de cólica intensa, ficando incapacitadas para o trabalho por um ou mais dias ao mês, acarretando a perda de milhões de horas de trabalho e prejuízos econômicos de bilhões de dólares ao ano em todo o mundo.
''Mesmo que a mulher mantenha sua atividade profissional, a produtividade fica bem reduzida'', afirma o médico ginecologista Nilson Roberto de Melo, presidente do Instituto Social do Bem-Estar da Mulher (Isbem), professor assistente da disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP e presidente da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo.
A cólica menstrual pode ter início nos primeiros anos após a menarca (primeira menstruação). Portanto, acomete mais as mulheres jovens. Em geral, não é causada por doenças ginecológicas e sim por substâncias chamadas prostaglandinas, produzidas pela camada interna do útero em quantidade maior do que o habitual durante a menstruação.
As prostaglandinas desencadeiam contrações uterinas muito fortes, semelhantes às do parto. Doenças ginecológicas, tais como tumores uterinos ou ovarianos, infecções ginecológicas ou uso do dispositivo intra-uterino (DIU), também podem desencadear os sintomas.
TPM Além dos problemas físicos, a cólica menstrual costuma estar associada a perturbações psicológicas, como a conhecida Tensão Pré-Menstrual (TPM). Em muitos casos, são comuns problemas conjugais, familiares e profissionais. ''O aparecimento de cólicas de intensidade leve é normal no início ou pouco antes da menstruação. Quando é intensa, precisa ser tratada'', alerta o médico.
O tratamento pode ser iniciado durante a crise de cólica, simplesmente para aliviar a dor. A terapia mais indicada inclui repouso, dieta leve, aplicação de bolsa de água quente no abdome, uso de analgésicos e medicamentos para cólicas, principalmente antiinflamatórios. Já a terapêutica fora da fase crítica tem por objetivo curar a doença.
De acordo com o ginecologista, neste caso, a opção melhor é o emprego de antiinflamatórios, que devem ser ingeridos pouco antes ou logo após os primeiros sintomas. ''Essa terapêutica tem apresentado excelentes resultados'', garante.
Efeitos colaterais O médico faz, porém, uma ressalva em relação a possíveis efeitos colaterais, causados pela maioria dos antiinflamatórios. Os efeitos adversos podem caracterizar-se por um simples enjôo até uma temível úlcera gástrica, ''mesmo quando são administrados poucas vezes''. Por esse motivo, é aconselhável administrar um medicamento que não cause efeitos colaterais ao aparelho digestivo. Para as mulheres que sofrem de dismenorréia primária (cólica menstrual) e também para o tratamento da dor aguda e de doenças crônicas como a osteoartrite já existe um medicamento à base de rofecoxib, enzima responsável pelo desencadeamento da dor e da inflamação.
Pertencente a uma nova classe terapêutica, essa substância combate as dores agudas com eficácia equivalente à dos antiinflamatórios tradicionais, mas sem os mesmos efeitos colaterais. Apresenta, ainda, resultados excelentes no tratamento da cólica menstrual, representando o maior e mais recente avanço no arsenal do tratamento da dismenorréia'', explica o presidente da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo.
Em um estudo internacional sobre qualidade de vida, que envolveu 672 pacientes, aqueles tratados com o rofecoxib relataram sentir mais energia, participação mais frequente em atividades sociais, além de menos dificuldades no trabalho e no desempenho de outras atividades diárias, devido à melhora no estado geral de sua saúde física e mental. n


