A perda do olfato
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quinta-feira, 06 de março de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Segundo a otorrinolaringologista Cláudia Regina Sanches Vaz, há pessoas que sentem os odores em excesso, outras percebem cheiros desagradáveis além do normal, ou confundem alguns odores, e existem as que não sentem odor nenhum
Você já se imaginou vivendo sem sentir o cheiro das coisas? Um perfume, o cheiro das flores, da chuva, da terra molhada... aqueles aromas que nos remetem a lembranças de alguém, de tempos passados, de momentos felizes, ou simplesmente do cheirinho bom de uma comida? Pois é, tem gente que vive dessa maneira, sem conseguir sentir o cheiro de nada. E o problema, conhecido como anosmia, é mais comum do que se imagina.
O olfato participa da regulação da função corporal auxiliando o ser humano a compreender e se relacionar com o meio ambiente, alertando contra o perigo (comida estragada, gases nocivos), além de participar da atividade sexual (perfumes, atração, etc).
Segundo a otorrinolaringologista Cláudia Regina Sanches Vaz, existem vários tipos de alteração do ato de cheirar. ''Há pessoas que sentem os odores em excesso, outras percebem cheiros desagradáveis além do normal ou confundem alguns odores. Algumas relatam odores que não ocorrem naquele momento real, outras sentem os odores em menor intensidade. E há as que não sentem odor nenhum'', explica.
A anosmia, de acordo com a médica, pode ocorrer desde o nascimento por causa de algumas doenças familiares congênitas ou por atrofia, que é a degeneração da área do olfato durante o desenvolvimento do feto. O envelhecimento do indivíduo ou mesmo traumas cranianos na região da nuca, tumores, inflamações do nervo a nível cerebral, também podem levar a este quadro.
Além disso, gripes fortes onde ocorra lesão das terminações nervosas pelo vírus, doenças nasais ou mesmo a exposição a agentes tóxicos, podem causar a anosmia. ''O tratamento vai depender da causa, podendo ser a interrupção de agentes tóxicos ou medicações específicas, cirurgias nasais ou de tumores''. Em outras ocasiões, como trauma craniano ou pós-gripe, o retorno do olfato vai depender do tempo, podendo ser transitório ou mesmo definitivo.
A avaliação desses pacientes, segundo a médica, costuma ser feita por uma equipe que inclui neurologista, otorrinolaringologista e às vezes endocrinologista. Os exames são determinados caso a caso, podendo variar desde o clínico, de sangue a até endoscopia nasal, tomografia e ressonância magnética.


