As temperaturas mais quentes da estação convidam a desfrutar das ''boas coisas da vida'', muito sol, roupas leves, corpo exposto ao vento. Apesar da sensação de liberdade e descontração que a temporada permite, é importante não abusar dos efeitos do astro-rei. O calor que agrada significa também que os seus raios estão mais intensos e os excessos podem trazer prejuízos à pele. Então, proteção passa a ser a palavra de ordem!
Muita água, refeições leves, hidratantes e aplicação constante de filtros solares. A médica dermatologista Vera Cristina Schnitzler alerta que é preciso não só lembrar de usar os protetores, mas intensificar a aplicação nesta época do ano. O protetor solar deve ser usado todos os dias, independentemente da estação do ano, nas áreas em que a pele esteja exposta ao sol e também a outras luzes como as lâmpadas fluorescentes e computadores. ''Os efeitos do sol são cumulativos e as partes descobertas do corpo são prejudicadas desde a infância''.
Vera explica que o bronzeamento, mais que uma cor bonita e sensual, significa uma reação de proteção do organismo às agressões do sol. A melanina pigmento responsável pela cor é o filtro natural do organismo; sua produção é estimulada pelo sol, exatamente para proteger a pele. Os filtros atuam então, como auxiliares nesse sistema de defesa.
Câncer de pele Quando se pensa em proteger a pele, a primeira ''lei'' a ser respeitada, segundo a dermatologista, é evitar o sol das 10 às 16 horas. Quanto ao fator de proteção dos filtros solares, ela diz que eles são dirigidos principalmente para os raios ultravioletas UVB, considerados os mais prejudiciais e que causam doenças como o câncer de pele. ''Atualmente existem outros métodos de qualificação dirigidos aos raios UVA, mas ainda não são totalmente eficazes''.
A escolha do fator de proteção depende do tipo de pele que a pessoa tem. A classificação vai de 1 a 6. O tipo 1 é extremamente claro pele, cabelo, olhos e jamais vai pegar uma ''corzinha''. O tipo 6 é o negro, que possui maior resistência natural à ação do sol. Os demais são as variantes. ''Quanto mais clara a pele, maior deve ser o fator de proteção solar'', orienta.
Propaganda enganosa Há uma polêmica dizendo que a capacidade de proteção dos filtros vai até o 15 FPS (Fator de Proteção Solar) e que os produtos que dizem ter FPS acima desse número seriam propaganda enganosa. Vera prefere cautela na análise do assunto, e exemplifica dizendo que se uma pessoa exposta ao sol demora 1 hora para ficar vermelha, com o uso do protetor esse tempo fica maior, como se fosse multiplicado pelo fator de proteção do filtro. Acima do fator 15, de acordo com a médica, o aumento da porcentagem de tempo de proteção é muito pequeno. Os fatores de 15 a 30 garantem 85% de proteção. Como as pessoas normalmente não reaplicam o produto no tempo recomendado no máximo quatro horas os fatores maiores suportam um pouco mais e defendem também de outros raios, como a luz visível. Mas nenhum deles oferece proteção total.
A dermatologista destaca ainda que na escolha do protetor deve-se levar em conta outras características da pele, como a oleosidade. ''Peles oleosas devem usar apenas produtos em gel''.
Formulação A farmacêutica Lucimara Dal Col Bertoli completa dizendo que há dois tipos de filtros, os químicos e os físicos, que diferem também no sistema de proteção. Os filtros físicos, aqueles que ficam esbranquiçados, não são absorvidos pela pele e agem bloqueando os raios solares, como se a pessoa estivesse vestida.
Já os filtros químicos são mais fáceis de ser aplicados, pois são em gel ou mesmo em spray, penetram na pele e literalmente filtram a absorção dos raios pela pele. Lucimara destaca ainda que é preciso cuidado com os produtos utilizados na formulação desses cremes, pois há substâncias que não combinam entre si e acabam prejudicando o índice de proteção solar.
A dermatolgista Vera Cristina lembra que o efeito imediato do sol é a queimadura, que vai desde a vermelhidão até bolhas d'água. Entre os prejuízos a longo prazo ela cita as fotoalergias, o envelhecimento, o desencadeamento ou o agravamento de doenças como o lupus e a acne (espinhas). Em crianças, a dermatologista alerta que o uso de filtros solares deve ocorrer após os seis meses de vida e na escolha deve-se evitar produtos químicos.
O mercado oferece inúmeras marcas e tipos de filtros solares que atendem aos vários tipos de ''bolsos''. A Folha da Sexta fez uma pesquisa de mercado e apresenta algumas novidades e preços.n

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