A paz diante de uma xícara de chá
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quinta-feira, 10 de abril de 2008
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Primeiro, respire profundamente algumas vezes. Procure se desligar da fluência frenética do cotidiano. Se você chegou até aqui, seja muito bem-vindo(a) e acomode-se. Você está convidado(a) a conhecer um pouco mais sobre o chanoyu, a tradicional cerimônia do chá.
Essa prática milenar, essencialmente relacionada a elementos de natureza religiosa, filosófica, ética, artística, ascética e social, ultrapassa o simples hábito de tomar a bebida para refrescar a boca ou saciar a sede. Em Londrina, os estudos do chanoyu reúnem pessoas há cerca de 27 anos. ''É uma arte independente que influenciou a cultura japonesa, e hoje é chamada de cerimônia do chá. Mesmo sem os tatames e as vestes (kimonos), o importante é o espírito de fazer o chá'', revela Toshiko Ikeda Ogatta, professora do ritual que envolve essa cerimônia.
Com início registrado na China há milhares de anos e, desde então, difundido pelo mundo, supostamente introduzido no Japão por emissários e bonzos japoneses, que levaram o chá ao país por volta do século 9, na era Nara. Na época, o chá tornou-se um hábito entre os bonzos e samurais como tratamento de saúde. Já no século de 13, as normas de se preparar e beber o chá foram valorizadas e intimamente relacionadas ao espírito Zen, período em que surgia o daisu no chanoyu - a cerimônia do chá - com utensílios dispostos em uma estante.
Aliás, a beleza dessa prática ancestral mostra-se presente em todos os aspectos, seja pela natureza presente no ikebana, pelo detalhe do kimono, pelo cumprimento entre o anfitrião e seus convidados, ou pela precisão de cada movimento do temae (procedimentos) durante o ritual.
Na acolhedora casa da obassan (senhora) Mitsui Nishi, também professora de chanoyu, a sala da cerimônia do chá apresenta padrões oficiais com oito tatames. Para preencher ainda mais os olhos de beleza, uma das laterais dá acesso a um contemplativo jardim japonês. ''Atualmente, 20 alunos estão matriculados no curso que abrange turmas dos níveis básico e avançado. São bem-vindas pessoas de diversas origens e raças, já que é um prazer divulgar um pouco mais da cultura japonesa. A cerimônia é um estudo de auto-disciplina, envolvendo conhecimentos a respeito dos materiais utilizados, da natureza e dos idosos'', pondera Toshiko.
Utilizado especialmente na cerimônia, o tipo de chá verde usado (macha), de início restrito à aristocracia, tornou-se um elemento medicinal anti-estresse que beneficia a saúde e a convivência pacífica entre as pessoas, como revela a professora: ''É o momento de se desligar totalmente da rotina. A gente quer que a tradição japonesa continue somando com a tradição brasileira e sempre viver em paz diante de uma xícara de chá''.
De acordo com a publicação ''DO: A Essência da Cultura Japonesa'' (Centro de Chado Urasenke do Brasil''), o curso regular de chado (caminho do chá) teve início, no Brasil, em setembro de 1979, para os alunos de Pós-Graduação da Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo (ECA-USP), por intermédio da professora Francesca Cavalli. Em paralelo, um curso extracurricular de chado, no Centro de Estudos Japoneses, foi implantado e segue até os dias atuais. ''Os estudos da cultura desta cerimônia integram a grade do curso de Cultura Artística da Universidade de São Paulo (USP), com o professor Hayashi que peregrina o país difundindo seu rico conhecimento'', completa Toshiko.
Para obter o título de professor de chanoyu, são necessários de 10 a 20 anos de dedicação, apresentando como variantes o empenho e a disponibilidade de cada aluno.
A beleza dessa prática ancestral mostra-se presente em todos os aspectos, seja pela natureza, pelo detalhe do kimono, pelo cumprimento entre o anfitrião e seus convidados, ou pela precisão de cada movimento


