Relógio biológico Apesar de serem flores selvagens e resistentes, as orquídeas também podem ser atacadas por pragas ou doenças. Os pulgões, cochonilhas e vaquinhas são as pragas mais freqüentes e podem ser tratadas com produtos químicos e com o acompanhamento de um agrônomo. A doença mais comum das orquídeas é o mofo das raízes, causado pelo excesso de água nos vasos. De acordo com Faria, a orquídea não é uma planta difícil de ser cuidada. ‘‘Os maiores problemas são a falta de ventilação e o excesso de água’’, comenta.
  As orquídeas possuem uma espécie de relógio biológico e, em geral, florem uma vez por ano, sempre na mesma época. Depois da florada e durante a primavera são períodos ideais para manipulá-las. Apesar de serem plantas externas, elas podem suportar até um mês dentro de casa quando estão em flor. O preço médio de uma planta adulta nas floriculturas é R$ 30, mas espécies raras podem chegar a R$ 5 mil. De acordo com Faria, a orquídea não costuma morrer naturalmente, e sim devido a doenças ou maus cuidados. ‘‘Existem plantas que estão há várias gerações com a mesma família’’, afirma.
  O casal Aucídes Vicente, funcionário federal aposentado, 65 anos, e Antônia Vicente, professora aposentada, 65 anos, tem oito orquídeas em casa. Antônia é quem lida com as plantas e explica porque o fascínio pelas orquídeas. ‘‘A gente fica o ano todo cuidando e esperando as flores e, quando elas chegam, são lindas. Vale a pena a espera’’, comenta. A decoradora Sandra Fuganti cultiva orquídeas há 12 anos e possui em casa um orquidário com aproximadamente 160 plantas. Ela diz que cuidar das orquídeas requer um certo tempo, mas o prazer de ver a beleza das flores compensa o trabalho. ‘‘Todos os domingos eu me dedico às orquídeas. É um momento de relax’’, conta.n

  ‘‘A orquídea é uma prisioneira de luxo’’. A frase é do colecionador de orquídeas e presidente do Círculo Norte Paranaense de Orquidófilos (CNPO), Vitor Paulo da Silva. Não imagine que as plantas são tratadas como prisioneiras; a expressão é usada porque elas são retiradas de seu habitat natural e mantidas em pequenos vasos para a apreciação dos proprietários. Mas as plantas não sofrem; ao contrário, recebem cuidados, atenção e carinho como se fossem filhas.
  A história de Silva com as orquídeas começou por acaso há aproximadamente dez anos. Seu hobby era fotografar plantas e, depois de alguns flashes, o interesse pelas flores foi aumentando. Hoje, ele possui cerca de mil plantas em seu orquidário particular. O amor é tão grande que Silva diz conhecer cada uma delas. ‘‘Cada planta tem uma história. Como as pessoas sabem que gosto, ganho várias de presente’’, comenta. Ele diz que a admiração pelas orquídeas vem da variedade de flores e da beleza de cada uma. ‘‘Existem flores do tamanho de uma cabeça de alfinete e outras de 20 centímetros’’, informa.
  As orquídeas são as primeiras a serem visitadas quando o bancário chega em casa. ‘‘Minha ex-mulher tinha ciúme das plantas’’, conta. Seu interesse pelas flores não é compartilhado por ninguém da família, mas por outros 60 participantes do CNPO, que se reúnem para trocar espécies e informações sobre o assunto. ‘‘Algumas flores são tão raras que não têm preço; mas eu daria uma dessas espécies valiosas para outro colecionador porque sei que ele cuidaria bem’’, diz. Em geral, as orquídeas floram uma vez por ano ou menos, mas para um apaixonado a espera vale a pena. ‘‘Existem flores que duram apenas horas, mas elas representam o retorno. Você cuida e elas te dão flores lindas’’.
  O CNPO está realizando, até domingo, uma exposição com 200 exemplares no Centro de Eventos do Armazém da Moda, em Londrina. O Festival da Orquídea fica aberto das 9h às 21h, com entrada franca. O visitante pode encontrar exemplares das orquídeas mais comuns a preços que variam de R$ 5,00 a R$ 25,00. O destaque da programação, amanhã, é o curso sobre cuidados e técnicas para o cultivo da orquídea, a partir das 14 horas. (H.F.)

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