Tomar remédios sem a recomendação de um médico é prática comum entre os brasileiros. Apesar da grande maioria dos medicamentos trazerem em suas embalagens recomendações de que a venda deve ser feita mediante prescrição, praticamente todo mundo já foi à farmácia sem ter passado por uma consulta prévia. Infelizmente, com a situação econômica da maioria da população, a atitude nem é tão condenável, mas pode trazer consequências. A mais simples é a auto-medicação não funcionar; as mais graves vão desde reações adversas variadas, como náuseas e dores de cabeça, até alergias sérias e choques anafiláticos que podem levar à morte.
Segundo o médico alergista Luiz Alberto Scripes, cerca de 15% das pessoas que tomam algum remédio apresentam efeitos adversos. ''O mais comum são as dores de cabeça e náuseas. Os casos de alergia são apenas 3% do total e aqueles que acabam com a morte do paciente são somente 0,004%'', garante.
Teste de risco Uma das soluções encontradas para verificar se o paciente é alérgico a determinado medicamento é fazer um teste com o paciente e aguardar para determinar sua sensibilidade aos componentes da fórmula do remédio. Mas Scripes alerta para os riscos desnecessários dessa prática. ''Os testes de provocação não são a melhor opção porque nem sempre acontece uma reação simples. Pode ser que no primeiro contato a pessoa tenha uma reação grave ao medicamento. Não é o ideal receitar medicamentos apenas para testar uma possível alergia'', argumenta.
Outro motivo para os testes não serem garantia de segurança é a existência das psedo-alergias. ''Elas surgem dependendo da quantidade de medicamento no organismo e podem não aparecer nos testes'', esclarece Scripes. As pseudo-alergias também explicam as reações que aparecem no corpo, repentinamente, depois de anos de uso do medicamento. ''As reações a qualquer medicamento não podem ser previstas, sejam elas alérgicas ou adversas. Elas podem aparecer já no primeiro contato ou depois de muito tempo de uso contínuo ou não'', diz o farmacêutico Edilson Tenani Vidal.
Perigosos Os medicamentos que mais causam reações, segundo o farmacêutico, são os antibióticos. ''O mais comum é a pessoa apresentar problemas de urticária e intestinais'', diz. Em segundo lugar vem os antiinflamatórios. ''Os analgésicos dificilmente apresentam complicações. Estima-se que eles aconteçam em uma relação de um para 30 mil indivíduos'', garante.
Para aqueles que se submetem às cirurgias, o perigo, segundo o alergista, são os relaxantes musculares usados para anestesia e os expansores vasculares. ''Alguns médicos pedem vários exames ao paciente na tentativa de detectar alguma sensibilidade. E mesmo durante as consultas de rotina, é comum interrogar a pessoa sobre casos de reação a determinado medicamento e sobre a história familiar. Com isso já é possível ter uma idéia de qual remédio receitar'', afirma.
A atitude correta para evitar qualquer perigo é apenas tomar remédios com a indicação médica e procurar ajuda especializada aos primeiros sinais adversos. ''Com isso, ganha-se tempo para resolver e impedir que o problema se agrave. E quando o paciente já sabe que é alérgico a determinada substância deve comunicar ao médico para que ele indique outro que não ofereça perigo. Todo remédio tem um substituto e nos casos dos choque anafilático, já existem medicamentos para preveni-los'', completa Edilson Vidal. n

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