Desorientados. Foi assim que muitos pais de adolescentes ficaram depois de descobrir que o assassinato do casal von Richthofen foi tramado pela própria filha. Na porta das escolas, nos elevadores, nos restaurantes, eles se perguntavam se estavam educando bem seus filhos, se eram muito liberais ou muito repressores e onde, afinal, os pais de Suzane tinham errado. Cheios de dúvidas, tentavam descobrir como agir se o filho namora alguém que não aprovam ou que se envolve com drogas.
Com quatro filhos, Roseli dos Santos, de 29 anos, conta que passou a semana refletindo. ''Fiquei sem chão com esse caso. Minha filha mais velha tem 13 anos, começando a adolescência, e a gente nunca sabe se está no caminho certo'', diz. ''Tentei imaginar como seria se ela namorasse com alguém que a gente não aprovasse. Será que deveria proibir?''
A resposta do psiquiatra Içami Tiba, que está lançando o livro 'Quem ama, Educa!', é direta: ''Na maioria dos casos, proibir não resolve. É melhor chamar o moço para uma conversa franca, saber o que ele faz da vida, ver se tem ou não responsabilidade''.
Se a descoberta não for das melhores, então é preciso tomar medidas mais rígidas, como colocar hora para voltar para casa, monitorar as notas do colégio, não dar mais dinheiro do que o combinado. ''E se o jovem disser que vai fugir, o pai não deve ter medo. Diga que ele pode ir, mas que não será mais recebido em casa.''
A tática de Roseli para manter o controle é trazer os amigos da filha para dentro de casa. ''Esse é um pretexto para eu conhecer cada um e tentar entender melhor o que pensam'', conta. ''Ela ainda não namora e não sei como vou agir quando começar.''
Tiba sugere que se conheça a família do rapaz. ''Geralmente, os pais criam as meninas como princesas, mas se esquecem de que não moram em palácios e que há o mundo lá fora. O importante é prepará-las para esse mundo'', diz. ''Quando o filho começa a namorar é preciso conhecer a família do namorado, ir à casa dele, conversar com os pais. É fácil proibir, difícil é participar.''
Adriana Dias, de 38 anos, mãe de Rodrigo, de 15, usa a conversa para tentar afastá-lo de más influências mas, após o crime, também começou a se questionar. ''Sempre tentei dar a melhor formação para ele, mas a gente acaba se sentindo impotente quando surge alguém de fora que pode envolvê-lo'', diz. ''Acho que a melhor forma de educar é dando muito carinho, beijos e abraços, e também impondo limites. O difícil é saber como fazer isso.''
Tiba afirma que é importante beijar o filho, mas que esse carinho tem de ser recíproco. ''O filho também precisa beijar o pai, tem de aprender a dar. E os limites devem começar cedo.'' Para isso, os pais têm de dizer 'não' e mostrar a realidade aos filhos. ''Quando uma criança começa a andar, não se pode tirar a mesa do caminho. Ela tem que aprender a desviar e ir percebendo os limites.''
Juliene Silveira, de 39 anos, também vive a angústia de criar duas adolescentes de 14 e de 17 anos e sonha com um genro ''bonzinho, de família, estudioso'', mas sabe que nem sempre é possível encontrar o que se quer. ''Sei que no coração ninguém manda, ainda mais em coração de adolescente, mas sempre converso com elas sobre isso e rezo muito para que escolham a pessoa certa'', diz. ''Não adianta proibir. O melhor é explicar por que a família não concorda com o relacionamento. O problema é encontrar essa objetividade.''
Dizer claramente quais os motivos que levam à proibição do namoro, diz Miguel Ângelo Perosa, professor de psicologia da adolescência da PUC, é difícil para os pais porque, muitas vezes, não estão acostumados a dialogar. ''É preciso, antes, refletir se a desaprovação tem um motivo real ou é preconceito. Tem de conhecer o namorado para saber se gosta ou não. Se houver razão, basta mostrá-la ao filho.''
Mas, se o namorado estiver envolvido com drogas, lembra Tiba, é preciso ser mais drástico e o namoro deve ser proibido. ''O jovem vai ficar revoltado por uns dias, mas depois conhece alguém novo e se esquece da história.'' (D.T./AE)

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