Escondida nos fundos da residência, a área de serviço costuma ser o local mais esquecido da casa. Quando é mal aproveitada, pode ser um entrave aos trabalhos domésticos. Arquitetos acostumados a lidar com reformas e projetos de lavanderias garantem que é possível transformar o ''patinho feio'' da casa em um lugar útil e agradável.
''Ironicamente, as áreas de serviço ficam no espaço que menos bate sol da casa'', comenta a arquiteta Cláudia Haguiara, que fez a lavanderia da Casa Cor 2003/São Paulo. ''Aqui no Brasil, ao contrário dos Estados Unidos, as pessoas são acostumadas a lavar e secar a roupa dentro de casa e ainda acham estranho fazer esse trabalho num espaço público. Mas acredito que as lavanderias de condomínios sejam uma tendência.''
Seu projeto para a Casa Cor defendeu essa idéia. Sem muita preocupação com espaço, Cláudia projetou a lavanderia do condomínio com quatro tanques de pedra silestone, que ocupam o eixo central do espaço, além de quatro máquinas de lavar e quatro de secar roupa, que se estendem nas laterais. Da mesma pedra, foi feita a bancada para passar roupa e, ao seu redor, foi colocado um móvel com cabides de acrílico. ''Apesar de ter feito um projeto para uma exposição, é um espaço utilizável, que poderia ser feito em qualquer condomínio.''
Convencional Embora a lavanderia comunitária seja uma solução prática, o usual para o padrão brasileiro continua sendo a convencional área de serviço nos fundos da casa. O desafio é não deixar que o pouco espaço e a má divisão sirvam como desculpa para a falta de organização. ''A área de serviço é menosprezada dentro da casa, quando deveria ser o contrário. A organização de uma casa começa por lá'', diz a arquiteta Flávia Ralston.
Alguns itens são básicos para que a área de serviço não se transforme em um ''canto de entulhos''. A iluminação, artificial e natural, tem de ser eficaz. Lâmpadas fluorescentes e janelas espaçosas compõem o espaço. A ventilação também é primordial. ''De preferência, deve haver ventilação cruzada, que auxilia na secagem das roupas'', afirma Cláudia Haguiara.
As máquinas de lavar e secar roupas devem, preferencialmente, ficar uma ao lado da outra, para permitir que o espaço da parede seja aproveitado para os armários. ''Os modelos suspensos são a melhor opção, pois evitam que o compensado molhe'', alerta a arquiteta Mônica Vieira. Varais sempre ao lado das janelas e o uso de cestos para as roupas sujas e limpas facilitam a organização. Há a alternativa de se colocar os cestos encaixados dentro dos armários, da mesma forma que as tábuas de passar roupas podem ser embutidas.
Embora pareça complicado tornar o ambiente multifuncional, a tarefa se torna mais fácil quando o proprietário acompanha de perto as mudanças propostas pelo arquiteto. Só ele pode apresentar suas verdadeiras prioridades para que o ambiente seja projetado especialmente para o seu uso. A área mínima para se construir uma lavanderia vai depender das necessidades de quem a utiliza. ''Os proprietários devem estar engajados na obra, só assim evitamos grandes surpresas'', afirma Flávia Ralston. ''Uma área de serviço não precisa ser grande, só precisa ser bem projetada''.
E projetos bem resolvidos é o que não falta em Londrina. As lojas de cozinhas e áreas de serviço geralmente têm um arquiteto à disposição do cliente para projetar esses ambientes. O cliente também pode levar o profissional que assina a decoração da casa para ajudá-lo a definir a melhor opção para essas áreas, até porque a variedade de módulos é tão grande que a ajudinha de um especialista é sempre bem-vinda na hora de decidir os tons e os módulos que se adequem melhor ao espaço. Confira nas fotos as áreas de serviço da Móveis Brasília, Dellano, Balaroti e Originalli. (Colaborou Angela Raizer Barbosa/Reportagem Local).n

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