Os ventos deste inverno trazem um ar de renovação à moda. Na silhueta, nos comprimentos, na mistura de tecidos e de referências. Tudo tem perfume de novidade. Não é para menos. Embora não tenham sido totalmente esquecidos, os anos 1980 deixaram de ser o principal foco dos criadores. Os olhares, agora, vislumbram outros tempos, mais românticos, elegantes e, porque não dizer, sensuais.
Das décadas de 1920 a 1960, com passagem obrigatória pela de 1940, os looks apresentados na 16 edição da São Paulo Fashion Week fazem um delicioso passeio pelo tempo, garimpando peças aqui e ali, semeando vontades que em breve estarão nos nossos guarda-roupas. Nem adianta resistir. Quando você menos esperar, elas já estarão rondando seus pensamentos. A moda é assim, cheia de artimanhas.
Entre os itens de maior frequência na passarela paulistana, o bolero ganha disparado, seguido da pelerine. As saias e os vestidos conquistaram terreno, assim como a lingerie, que se insinua em várias coleções. Nos acessórios e nos detalhes da roupa, o leopardo é o bicho da vez. Nos pés, escarpins dividem a cena com sapatos de bico arredondado. E, no pescoço, pérolas ou cachecóis, de preferência estreitos e coloridos. Se você gosta de chapéus (e tem estilo para usá-los), a hora é essa.
Além de materiais como moletom, cetim, couro, musseline e jeans, os tecidos de padronagens invernais clássicas surgem com força, sobretudo na alfaiataria, mas também têm seus momentos de festa, como no belíssimo desfile da Cori, em que os xadrezes tradicionalmente usados em casacos e calças apareceram num glamuroso vestido longo. Obra do genial Alexandre Herchcovitch. Na coleção para a sua marca própria, ele garantiu outro bom momento da temporada: a gatinha Hello Kitty em divertidas estampas, com shape anos 1940.
Da série imagens que ficaram, tem ainda o tricô multicolorido da Patachou, os brocados nos vestidos justos de Ronaldo Fraga, a roqueira romântica da Triton, a sensualidade e o glamour renovados da Forum, as estampas geométricas em tules sobrepostos de Jum Nakao, o look college da Vide Bula, os camuflados recortados da G, o luxo renascentista de Fause Haten, as peles de Reinado Lourenço e os vestidos de noite de Marcelo Quadros, sobrepostos a regatas e camisetas, bem ao gosto do mix de estilos que é lei na temporada.
Como esquecer das encantadoras Emílias com cabelos rastafári da Coopa Roca por Marcelo Sommer? O estilista abusou dos aviamentos, fez vestidos com flores de crochê e transformou os ''remendos'' da boneca de pano em patchworks que deram uma graça especial ao jeans. E já que o clima era de comemoração, com várias homenagens do evento aos 450 anos de São Paulo, nada mais natural do que encerrar a semana com uma festa na passarela.
Contrariando todas as regras de um desfile, a Zapping distribuiu apitos para a platéia, chamou convidados para sentar no chão e incluiu gordinhas no casting. A bagunça estava instaurada. E não é isso que o adolescente quer da vida? Esperta, Thaís Losso, à frente da marca depois de deixar a Cavalera, fez um mix de todas as tribos: punks, mochileiros, ''cachorras'', esportistas... O público foi ao delírio. E Thaís confirmou o título de uma das estilistas mais criativas da sua geração.


Acima, a festa da Zapping, que fechou a temporada de desfiles com humor, irreverência e moda para todas as tribos; Fause Haten e seu luxo renascentista feito de cetins, bordados e bolsas inspiradas em desenhos japoneses. Ao lado, o preciosismo (desta vez, contido) de Lino Villaventura, com passarela coberta de folhas secas e uma coleção repleta de franjas

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