A nova cara dos cosméticos
Angela Raizer Barbosa
Na interminável guerra contra o tempo aumentam as vitórias na fileira dos mais fracos comandada pela indústria cosmética. Com fórmulas cada vez mais sofisticadas, essas empresas ampliam suas armas no combate aos inimigos os odiados sinais de envelhecimento. Baseadas no conceito da cosmecêutica (cosmetologia + farmacologia), as indústrias da beleza se uniram à pesquisa médica, descobrindo os princípios ativos que são acrescidos aos cremes antitempo. Essas substâncias têm alvos tão precisos quanto o mais certeiro míssil: prevenir a desidratação profunda da pele, combater as rugas e a flacidez, neutralizar os radicais livres e, assim, retardar o envelhecimento.
A maioria desses ingredientes ativos já é conhecida. A novidade é que grande parte deles, que já estão há algum tempo no mercado, mostrou realmente sua eficácia. Hoje muitos cosméticos de marcas idôneas, que tenham em sua composição um princípio ativo, promovem mudanças positivas, fazem alguma coisa a mais que os antigos cremes que só protegiam a camada superficial da pele, garante a médica dermatolologista Rosa Calland. -
Produção de colágeno Dos pioneiros ácidos retinóico e glicólico, passando pelos pirúvico, láctico, málico, hialurônico, vitaminas C e E até chegar ao furfuryladenina (ainda inédito no Brasil e comercializado nos EUA como Kinerase), muita coisa mudou na pele dos brasileiros. Já ficou comprovado que algumas dessas substâncias provocam alterações estruturais em camadas mais profundas da pele, estimulando a produção de colágeno, que é responsável pela sua elasticidade, e aumentando a espessura da epiderme. Sua eficiência fez com que aumentasse a oferta de cosméticos com esses ácidos, em concentrações menores do que as usadas pelos especialistas em tratamentos clínicos.
Com exceção do retinóico, que é um remédio e não pode ser usado na formulação de cosméticos, os outros ácidos podem ser misturados entre si e entrar na fórmula de cremes nutritivos ou hidratantes, explica Rosa Calland. Ela observa que a ação desses cosméticos é limitada quando as rugas profundas e a flacidez já instalaram. Ainda não existe uma substância química capaz de reverter totalmente o processo de envelhecimento. Para esses casos só resta a cirurgia plástica.
A verdade é que a partir dos 30 anos a pele começa a perder a sustentação segura dos músculos. Surgem então as primeiras ruguinhas na testa, ao redor dos olhos e da boca. Depois dessa fase, a pele vai ficando cada vez mais vulnerável à ação do tempo. Somados ao envelhecimento cronológico, outros fatores contribuem para diminuir a distância entre a juventude e a velhice. Não é apenas o sol que acelera os efeitos provocados pelo envelhecimento natural do corpo, diz a médica. Já está comprovado que o cigarro vem em segundo lugar, acrescenta. A dermatologista cita ainda a poluição, o vento, o calor de luzes fortes e até do secador de cabelos como fatores que intensificam o envelhecimento da pele.
Proteção solar Rosa Calland revela que já existem alguns estudos para a criação de um protetor solar via oral. Aliás, já está comprovado que as vitaminas C e E, ingeridas ou tópicas, têm efeito protetor contra os raios solares. Quanto aos protetores convencionais, a médica reconhece que a partir do fator 15, o efeito de proteção muda pouco. Mas para quem vai tomar sol, esse pouco vale muito, observa. O produto ideal, segundo ela, tem que oferecer proteção contra os raios UVB e UVA, pois ambos agridem a pele, provocam envelhecimento precoce e causam câncer na mesma proporção. Já existem no mercado alguns produtos que protegem até contra os raios UVC que, teoricamente, não deveriam chegar à terra, mas estão chegando devido aos buracos na camada de ozônio, revela.
Às vésperas de mais uma temporada de corpos bronzeados, Rosa Calland faz um alerta aos usuários da cama solar, que bronzeia sem queimar. Esse tipo de bronzeamento é movido a raios UVA, com os mesmos efeitos negativos dos UVB. A única diferença é que enquanto os UVA bronzeiam sem deixar a pele vermelha, os UVB avisam que estão agredindo. E não adianta dizer que UVA não agride a pele e não dá câncer porque dá. Ela sugere que as pessoas que utilizam esse artifício para se bronzear deveriam ser alertadas com uma frase semelhante à estampada na embalagem de cigarros, cujos fabricantes são obrigados pelo Ministério da Saúde a fazer uma advertência contra os malefícios do fumo.
A idade certa
Dos 15 aos 20 anos: basta usar apenas um hidratante com proteção solar. Cremes muito pesados podem tapar poros, formar cravos e espinhas numa fase em que o organismo está em processo de transformações hormonais.
A partir dos 20/25 anos: é aconselhável associar o protetor solar e hidratante com um creme nutritivo, que alimente a pele.
Depois dos 30 anos: é hora de adotar os cremes antitempo para compensar a queda nos níveis de reprodução celular, a desidratação mais intensa e a baixa produção de colágeno e elastina. No entanto, em qualquer idade, recomenda-se consultar um dermatologista.A introdução de princípios ativos em cosméticos de marcas confiáveis deixa a pele menos vulnerável aos efeitos do tempo
Arquivo FolhaCom exceção do retinóico, que é um remédio e não pode ser usado na formulação de cosméticos, os outros ácidos podem ser misturados entre si e entrar na fórmula de cremes nutritivos ou hidratantes, explica a dermatologista Rosa CallandPaulo WolfgangPaulo WolfgangO protetor solar ideal tem que oferecer proteção contra os raios UVB e UVA, pois ambos agridem a pele, provocam envelhecimento precoce e causam câncer de pele na mesma proporção





