À nossa moda
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de agosto de 2003
Karla Matida<br>Enviada a Maringá 
Apesar de ser o segundo pólo confeccionista do Brasil só perde para São Paulo em produção , o Paraná ainda engatinha quando o assunto é criação de moda. Tanto é que o Estado tem apenas um estilista representante no maior evento do País, a São Paulo Fashion Week. Não por acaso, sindicatos do vestuário de todo o Estado, capitaneados pelo Vestpar Conselho Temático da Indústria do Vestuário e Têxtil do Paraná, estão se unindo para colocar o Estado na trilha para se tornar um dos grandes criadores brasileiros.
E para a moda paranaense, as duas últimas semanas foram das mais produtivas e positivas. Primeiro, a Capital pôde assistir à segunda edição do Curitiba Fashion Art, de 12 a 16 de agosto. Treze grifes apresentaram nas passarelas suas coleções para o verão 2004. Já em Maringá, terminou ontem a terceira edição do Paraná Fashion, com direito a 24 desfiles, palestras, mostra tecnológica e uma rodada de negócios internacionais, com compradores de vários cantos do mundo.
Organizado pela Fashion House de Lúcia e Vanessa Wander e Ed Benini, o Paraná Fashion tem o apoio não apenas do Vestpar, como também da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Sebrae-PR e Senai. Sem falar na Prefeitura e Associação Comercial e Industrial de Maringá. Ou seja, apoio não falta. Até mesmo a gigante Vicunha que produz nove milhões de metros de índigo por mês bancou parte dos investimentos, que no total foram da ordem de R$ 1 milhão.
Antes mesmo de os desfiles começarem, a novidade já passeava pelos corredores do Centro de Eventos Araucária. No ano que vem, o evento deve mudar um pouco e ultrapassar as fronteiras do interior. Isso porque a edição de outono-inverno, marcada para março, vai acontecer em Curitiba. Os organizadores justificam dizendo que, além de ser uma cidade com clima mais frio, a Capital tem ainda mais atrativos e facilidades para os compradores.
Negócios à parte, na passarela do Paraná Fashion, nos dois primeiros dias (o terceiro dia ficou restrito aos estilistas), 16 grifes se revezaram na apresentação de suas novidades. O jeanswear é o principal carro-chefe das marcas, em sua maioria da região de Maringá e Cianorte (só a Sexxes e a Feito por Mamãe vieram de Curitiba). E, nesse caso, o jeans, que é peça básica em muitos guarda-roupas, ganha cara nova com lavagens diferenciadas e apliques.
A top Ana Hickmman que o diga. Foi ela quem abriu o evento, desfilando para a Osmoze, de vestido jeans bem rodado com tule fluorescente. A inspiração veio dos anos 1950 e 1960, passando pelo revival da vez, os anos 1980. Ainda na linha top-convidada especial, a modelo Giane Albertoni foi a estrela do desfile bem oitentinha da Lua Crescente, que aposta no preto e no prata.
Já a Convicto, grife de moda masculina, prestou homenagem aos campeões pan-americanos do handebol Alexandre Vasconcelos e Jair Henrique. Como aposta mesmo nas calças, brincou com camisetas brancas com nomes de bandas como The Smiths e Ramones.
No primeiro dia de desfiles, as grifes foram fiéis às tendências em comum, como a La Voga Zeen, que desfilou o preto e o pink, não se esquecendo dos números estampados nas peças, às vezes bordadas em paetês, nas correntes prateadas e na tela. Foram os três elementos mais recorrentes em boa parte das coleções do Paraná Fashion.
No quesito jeans com listras coloridas, destaque para a Hotten Toten e a Rouvaplás, que brincou com os antigos bustiês de lastex, que passearam pelo corpo, seja como top seja como cinto.
O último desfile do dia, com Daniela Sarahyba, não quis saber de outra cor que não o branco total. Tudo com muito aplique prata, claro.
Quando o público volta para segundo dia de desfiles, a passarela fica ainda mais sensual por conta das apresentações da Recco Lingerie e Recco Praia, com Vera Viel hora bancando a Eva passeando pelo Jardim do Éden de camisola com folhas de figueira, hora de biquíni cheio de referências ao trabalho artesanal. Teve até tops confeccionados com fichinhas de casca de coco.
A Roesler segue mostrando o que mais gosta, muitos apliques no jeans, que tem modelagem mais ampla, justamente para dar o balanço das franjas de miçangas. O início é à base de fogo, nos tons amarelo, vermelho e laranja e o final fica mais azul de água.
Grife exclusivamente para exportação, a BR & Cia. aposta no sportswear em coleção voltada para o fitness e a malhação. Dos esportes para um momento mais clássico, a Applausos é mais sisuda quando faz a camisa militar, mas nem tanto assim, já que o tecido é o cetim.
Feito por Mamãe trouxe a jovem atriz Stefanny Britto para mostrar o que faz: moda infanto-juvenil pra lá de colorida e musical. O disco de vinil estampa a camiseta, assim como os vários ritmos, passando do rock ao eletro. O mundo clubber, nascido nas boates, vira referência para a Lado Avesso, que mistura tudo com o atletismo. As bijus lembram medalhas (tais e quais as douradas, prateadas e bronzeadas que vieram do pan-americano).
A onda oriental ainda segue firme para a Mulher de Pano, que fez guetás (tamancos japoneses) para combinar com os dragões estampados nos jeans e camisetas.
Quem encerrou o segundo dia foi a Sexxes, de Junior Gabardo, que já havia desfilado no Curitiba Fashion Art. Como comemora sete anos, o número é recorrente nas cores, estampas e colares. O comprimento dos vestidos e saias é dos mais curtos, afinal, o nome da grife tem mesmo razão de ser. Entre os tecidos, o resgate do devorê chega em verde, deixando espaço também para o prata e os metalizados.
De acordo com a organização do evento, até bem pouco tempo atrás eram raras as confecções que tinham estilista pra chamar de seu. Hoje, algumas já têm até cinco pessoas cuidando do estilo. ''Nosso processo está mais rápido, acredito que em dois ou três anos o Paraná vai ser um grande pólo de moda do Brasil'', garante Vanessa Wander.
* A jornalista Karla Matida viajou a Maringá a convite da organização do evento.


