O origami arquitetônico é uma forma de trabalho manual com papel que combina a dobradura do origami, o kirigami (arte chinesa de cortar formas em papel) e a engenharia dos antigos livros infantis ‘‘pop-ups’’. As criações em origami arquitetônico podem ser dobrados numa forma plana e, quando abertos, revelam uma estrutura tridimensional. Alguns modelos são concebidos para serem abertos a ângulos de 180 ou 360 graus e, poucos, a zero grau. Mas a grande maioria das criações são desenhados para serem apresentados abertos a um ângulo de 90 graus.
A concepção original do origami arquitetônico foi desenvolvido em 1981 por Masahiro Chatani, um professor de arquitetura dos Instituto de Tecnologia de Tóquio. Juntamente com Keiko Nakazawa, Chatani escreveu livros ensinando a técnica e revelando os modelos de origami arquitetônico. Em um texto de apresentação de seu trabalho, Chatani diz que o origami arquitetônico ‘‘explora o mistério da transformação do plano da 2ª dimensão para a 3ª dimensão, levando em conta a dimensão do tempo’’.
‘‘Embora tenha sido criado na era dos computadores, a criação do origami arquitetônico não é dos computadores e sim da imaginação humana’’, acrescenta. Chatani diz ainda que o Origami Arquitetônico ‘‘pode ser considerado como uma ponte entre o antigo e o moderno e entre as culturas do leste e do oeste’’. A técnica de Chatani rapidamente de espalhou pelo mundo, ganhando inúmeros adeptos dos cartões OA (Origamic Architecture).
No Brasil, uma das primeiras a utilizar essa técnica na confecção de cartões foi a arquiteta Bassy Arcuschin Machado, que há 14 anos fundou a Origami Arquitetura de Papéis. Tudo começou em 1986, quando Bassy – que sempre foi uma apaixonada pela cultura japonesa – foi ao Japão para participar de um programa de intercâmbio cultural de três meses.
‘‘Durante essa viagem conheci alguns designers que me apresentaram o origami arquitetônico’’, conta Bassy. ‘‘Algumas pessoas chamam o origami arquitetônico de kirigami, mas é um trabalho que envolve mais do que o corte de papel, envolve bastante dobra’’, explica a arquiteta.
Reconhecimento De fato, alguns origamistas não consideram os cartões tridimensionais como um trabalho de origami, pois o origami puro é a arte de dobrar papel sem o auxílio de cola, cortes, grampos ou qualquer outro tipo de ajuda.
Ao retornar para o Brasil, Bassy adaptou a técnica ao gosto do brasileiro, trabalhando com formas mais variadas e cores. ‘‘No Japão, os cartões costumam ser brancos e dão destaque a forma, aos detalhes. Além disso, os japoneses confeccionam mais cartões com motivos de monumentos, prédios e edifícios famosos’’, diz Bassy.
A Origami Arquitetura de Papéis confecciona entre 30 mil e 40 mil cartões por mês, número que triplica no final do ano. A produção industrial dos cartões é outra crítica contra o origami arquitetônico, como são confeccionados em gráfica, eles perderiam o caráter artesanal, tradicional do origami.
Bassy contesta explicando que o cartão é primeiro criado manualmente, para depois ter a idéia finalizada no computador, antes do modelo ser impresso na gráfica. Além disso, todo o processo é feito dentro da empresa, que possui gráfica própria, o que permite o melhor controle da qualidade de produção, diz Bassy.(S.Y.K.)

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