A moda no roteiro da boa mesa
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quinta-feira, 18 de junho de 1998
Rosângela Vale 
O verão que vem aí será extremamente apetitoso. Aromas e temperos exóticos invadem o guarda-roupa, traduzindo a alegria de viver no visual de cada dia. As pessoas têm com a comida a mesma relação que têm com a roupa: de puro deleite, disse a pesquisadora de moda e mercado do Senai-Cetiqt do Rio de Janeiro, Marta Feghali, que esteve em Londrina semana passada, reunindo confeccionistas e profissionais paranaenses de moda no Empório Guimarães.
Marta revelou que a moda da próxima estação passa pela cozinha.Selecione safras de tecidos crocantes, tempere com estampas de sabor africano e junte cores suculentas. Misture todos estes ingredientes com bom gosto e estilo, escreve no caderno de tendências Verão 98-99 distribuído aos partipantes. O evento, promovido pelo Serviço de Apoio à Pequena Empresa (Sebrae) e pelos sindicatos do vestuário de Londrina, Maringá, Cianorte e Apucarana, contou com seminário e desfile. Na ocasião, foi lançado o regulamento da 2ª edição do Concurso Novos Talentos da Moda Paranaense (leia box).
Segundo a pesquisadora, os estilistas estão buscando inspiração nos temperos exóticos e picantes da Ásia e da África. A estética black dá o tom da estação. É só dar uma olhada nos desfiles e revistas de moda internacionais para observar o fenômeno: os modelos negros ganham cada vez mais evidência. O melhor exemplo é Alek Wek: nascida em uma tribo do sul do Sudão, com traços fortes, pele negra azulada e cabelos curtíssimos, ela representa a atual valorização da autêntica beleza negra, observa.
Marta explica que as culturas estrangeiras aparecem com evidência nos tecidos mistos e nos aviamentos com aspecto artesanal. Buscando ingredientes raros e cardápios elaborados, a moda conjuga sabor e prazer e se inspira em iguarias como mel puro de abelhas, que pode custar tanto como um lenço Hermés, afirma. As texturas imitam aspectos peculiares dos alimentos: figuras em alto relevo lembram bolachas decoradas e os tecidos ganham detalhes escorridos, como caldas e flambês.
O laise, a renda e o bordado inglês voltam com força, numa referência a doces como chantilly, algodão-doce e glacê. Os materiais imitam desde o fosco da casca do ovo até o brilho cremoso da clara em neve, compara. Os tecidos rústicos também retornam, só que agora ganham uma linguagem mais sofisticada, como os amassados e os plissados. As cores são escolhidas pelo paladar. O verde e o rosa formam o par da estação, seguidos pelos tons de pimenta malagueta e molhos vermelhos, canela, clorofila e branco.
De acordo com Marta, as principais tendências para a primavera-verão 98/99 podem ser resumidas em três segmentos: jardim da vida, com inspiração nas hortas, pomares e feiras livres, que vem traduzida em tecidos rústicos (cambraia, linho, ráfia, tweed de verão, algodão) no estilo workwear para os homens e na elegância simples e refinada para as mulheres; tempero da vida, baseado na estética tribal, com muitas padronagens artesanais e estampas exóticas. A silhueta feminina é assimétrica e entrecortada com volumes drapeados, e a masculina é quadrada e solta.
E por fim, festas da vida, que determina um guarda-roupa neo-romântico, sedutor e com uma pitada de insolência. Entre as peças-chaves, sobreposição de transparências, jeans com detalhes de elastex, frufru e strass, calças corsário e pantalonas. Para quem acha que já viu este filme, Marta justifica: As tendências se repetem, mas a cada estação têm uma abordagem diferente.


