A moda do selinho
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de dezembro de 2004
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Quando as cantoras Madonna e Britney Spears trocaram um beijo na premiação de música da MTV norte-americana, no segundo semestre do ano passado, muito se falou. A história rendeu fotos em várias publicações pelo mundo todo e críticas dos mais conservadores. Mas nem os mais preocupados imaginavam que a coisa iria se tornar, em um curto espaço de tempo, algo a ser copiado pelas adolescentes brasileiras. Uma pesquisa feita pela revista Capricho revela que 30% das garotas entre 15 e 17 anos já beijaram outra menina na boca.
Segundo o psicólogo Júlio César Arrebola, apesar da seriedade que a atitude das meninas possa representar para os pais, não há muito com o que se preocupar. ''Elas fazem isso pelo mesmo motivo que tomam Coca-Cola ou usam uma calça de marca famosa: simplesmente porque há o estímulo para isso. A Madonna não é a única inspiração. Aqui no Brasil temos a Hebe Camargo, que dá selinhos (beijinhos) em todo mundo. Essas mulheres servem como justificativa para as garotas. Elas pensam: se até a Hebe pode, porque não eu?'', explica.
A vontade de beijar outra menina na boca pode vir por várias razões. De acordo com o psicólogo, a principal delas é chocar a sociedade. ''Essa é a maneira que os jovens encontram de crescer e mostrar independência. Elas também fazem isso para mostrar às amigas que são modernas, que podem quebrar tabus. E por último, algumas agem dessa forma para agredir, seja os adultos ou até mesmo os meninos. Mas dificilmente é um sinal de homossexualidade. Isso abrange muito mais coisas do que um simples beijo em uma amiga'', esclarece.
Independentemente da razão, o especialista garante que a atitude tende a perder força e ser esquecida pelas adolescentes. ''Há alguns anos era muito comum amigas andarem de mãos dadas nas ruas. Hoje, já é mais difícil quem faça isso porque deixou de ser moda, perdeu o reforço. Ninguém mais faz e se alguém fizer não será algo de impacto'', diz. Ele acredita que o momento agora é da sociedade observar para ver quais os rumos que a novidade vai tomar. ''Não acredito que aumente a homossexualidade entre as jovens e nem que se torne algo banal. Acho que ainda é cedo para fazer previsões, mas existe muita coisa contra para que o beijo na boca se torne popular'', afirma.
Para os pais, a dica é agir, sempre, de acordo com a ética da família. ''Assim como qualquer comportamento novo dos filhos, os pais devem se preocupar. Se a família é tradicional e não aceita esse tipo de atitude, o filho precisa saber disso. Mas é preciso cautela na maneira de tratar o assunto. Punição de qualquer tipo deve ser evitada porque reforça o comportamento. Falar demais também só causa distanciamento. O ideal é saber exatamente o que está acontecendo e tentar se aproximar da filha e falar sobre o assunto sem invadir a privacidade'', aconselha.
Já para as meninas que estão passando pela decisão de beijar ou não outra garota, Júlio César explica a importância de se ponderar bem sobre o assunto. ''A menina precisa lembrar qual é a imagem que ela quer que os outros tenham dela. O impacto que a decisão de beijar pode causar varia de pessoa para pessoa, da educação e das verdades de cada uma. E tanto os pais quanto as garotas que estiverem em dúvida de como agir, procurar ajuda especializada é sempre um bom caminho'', diz. (q)


