A moda ao alcance de todos
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quinta-feira, 06 de setembro de 2001
Rosângela Vale 
Quem gosta de moda só tem a comemorar. Talentos promissores surgem na cena fashion nacional e prometem conquistar aquela fatia de mercado ávida por novidades. Semana passada aconteceu a primeira edição do Amni Hot Spot Up & Coming Fashion Mix, que reuniu no Centro Cultural, em São Paulo, o trabalho de nove jovens estilistas garimpados por Paulo Borges (diretor da São Paulo Fashion Week), Beto Lago (promotor do Mercado Mundo Mix), Alexandre Herchcovitch e Daniela Bongiovanni, da Rhodia.
O grande diferencial é que, muito mais do que lançar novos talentos, o projeto tem como objetivo estruturar um processo contínuo de renovação e maturação na moda, já que para sobreviver no mercado não basta criatividade e talento, mas, sobretudo, planejamento e organização profissional. Os organizadores vão oferecer a esses estilistas, através de parcerias com duração de três anos, apoio financeiro e acompanhamento personalizado em todas as etapas que envolvem uma coleção da criação à distribuição, incluindo as campanhas publicitárias. Depois desse prazo, eles passam a caminhar com as próprias pernas, então já devidamente fortalecidos para isso. (Confira as coleções de verão 2002 dos jovens criadores do Amni Hot Spot nas páginas 10, 11 e 12).
Dentro dessa visão global de moda adotada pelo projeto, os holofotes não estão apenas voltados para a criação da roupa, mas também para o trabalho de outras áreas que contribuem direta ou indiretamente para a imagem que se vê nas passarelas e revistas. São os bastidores desse mundo fashion tão glamourizado pela mídia que o Amni Hot Spot quer desmistificar. Para isso, foram desenvolvidos laboratórios vocacionais nas áreas de fotografia, jornalismo, web design, produção de moda, vídeo, direção de arte, DJ, cabelo, maquiagem, estilo e grafite.
Foram três dias de evento em um ambiente que exalava paixão por moda. Os laboratórios, coordenados por experts em cada área, eram realizados durante todo o dia (os desfiles aconteciam à noite), e contaram com 315 participantes a partir de 16 anos, selecionados através de fichas de inscrição na revista Capricho e em entidades comunitárias de São Paulo. Atuando em conjunto na realização das tarefas, as equipes tiveram seus trabalhos analisados por profissionais renomados, como a jornalista e consultora de moda Glória Kalil, a fotógrafa Thelma Vilas Boas e os estilistas Reinaldo Lourenço, Alexandre Herchcovitch e Reinaldo Lourenço.
Para a maioria, a experiência foi, no mínimo, esclarecedora. ''Teve gente que gostou e gente que saiu daqui com a certeza de que não era isso que queria'', contou a estudante de Estilismo, Cíntia Ribeiro, 21 anos. Já Luciana Monteiro, 16 anos, fez laboratório de produção de moda, mas descobriu que o seu caminho pode ser jornalismo. ''Vimos o que cada etapa faz e trabalhamos todos juntos, isso foi muito legal'', disse.
Segundo Paulo Borges, o resultado foi melhor do que o esperado. ''Eles entenderam que ao trocar experiências o processo fica fortalecido'', comemorou, anunciando que o Sebrae abraçou a causa e pode levar a experiência para o resto do País. ''Quero virar a pirâmide da moda de cabeça para baixo, democratizar o processo, fazer com que se espalhe para as comunidades'', planeja Paulo, anunciando para a próxima edição do evento, em março de 2002, a realização de oficinas mais extensas. Paralelamente, a prefeitura de São Paulo, através da Coordenadoria da Juventude, vai transformar os laboratórios em futuras oficinas permanentes do programa Bolsa Trabalho, que atua na periferia da cidade como um complemento de renda para jovens de 16 a 20 anos. n
* A jornalista Rosângela Vale viajou a convite da organização do evento.


