Calças capri, camisas ajustadas, muitas listras coloridas e colarinhos mais altos, com dois, até três botões no pé da gola. Nós pés, babuches de aspecto envelhecido. É assim, abusado no visual, que o homem deverá circular no verão 2003. Essa é a proposta dos cerca de 50 confeccionistas que estiveram reunidos no Salão da Moda Masculina, realizado no Frei Caneca Convention Center, em São Paulo.
O evento – que mescla o espírito das feiras com o ambiente fashion – dá o start nos agitos da temporada e apresenta as principais tendências para o guarda-roupa dos rapazes. Fabricantes de grandes volumes, os integrantes do salão deixaram de pensar em roupa e começaram a fazer moda.
É fácil constatar a evolução dos participantes nesta quarta edição da feira. As lavagens estão mais trabalhadas, a cartela de cores mais rica, mas eles ainda pecam na forma. Nem todos têm coragem de encurtar as barras e ajustar as camisas como deveriam. Mas já podem ser encontradas pistas de quais itens irão renovar o estoque de ternos, camisas e gravatas. Os sopros de tendência estão nas listras – que apareceram em quase todos os estandes – e no aspecto envelhecido, que dá o tom em calças, camisas e até nos sapatos.
Alguns expositores, como a D’Anello e a Donadelli (calçados), lideram o batalhão fashion. São marcas habituadas a desenvolver produtos para estilistas moderninhos – e acabam transitando com maior desenvoltura nesse território. Em suas coleções próprias exibem itens que são pura vanguarda.
A D’Anello acaba de lançar a linha soft, com modelos de algodão com toque de papel, puro conforto para o verão. Nos pés, os sapatênis feitos de lona envelhecida da Donadelli formam par perfeito.
Outra aposta são os modelos sabó, versão babuch para pés masculinos. ‘‘A primeira vez que usei estranhei, mas agora acostumei. Parece que estou o dia todo de chinelo’’, confessa Jorgito Donadelli, dono da marca. Entre a maior parte dos expositores, o objetivo prioritário ainda é comercial. ‘‘Viemos vender, não lançar moda, mas é preciso inovar’’, confirma Rogério Meireles, da Arte Fio, de Minas Gerais. ‘‘O homem compra com o olho, depois coloca a mão no tecido e por último experimenta a roupa’’. Meireles diz que a moda masculina tem que se preocupar com o visual, depois com a matéria-prima e com a modelagem.

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