A moda abusada do homem 2003
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de junho de 2002
Deborah Bresser<BR>Agência Estado 
Calças capri, camisas ajustadas, muitas listras coloridas e colarinhos mais altos, com dois, até três botões no pé da gola. Nós pés, babuches de aspecto envelhecido. É assim, abusado no visual, que o homem deverá circular no verão 2003. Essa é a proposta dos cerca de 50 confeccionistas que estiveram reunidos no Salão da Moda Masculina, realizado no Frei Caneca Convention Center, em São Paulo.
O evento que mescla o espírito das feiras com o ambiente fashion dá o start nos agitos da temporada e apresenta as principais tendências para o guarda-roupa dos rapazes. Fabricantes de grandes volumes, os integrantes do salão deixaram de pensar em roupa e começaram a fazer moda.
É fácil constatar a evolução dos participantes nesta quarta edição da feira. As lavagens estão mais trabalhadas, a cartela de cores mais rica, mas eles ainda pecam na forma. Nem todos têm coragem de encurtar as barras e ajustar as camisas como deveriam. Mas já podem ser encontradas pistas de quais itens irão renovar o estoque de ternos, camisas e gravatas. Os sopros de tendência estão nas listras que apareceram em quase todos os estandes e no aspecto envelhecido, que dá o tom em calças, camisas e até nos sapatos.
Alguns expositores, como a DAnello e a Donadelli (calçados), lideram o batalhão fashion. São marcas habituadas a desenvolver produtos para estilistas moderninhos e acabam transitando com maior desenvoltura nesse território. Em suas coleções próprias exibem itens que são pura vanguarda.
A DAnello acaba de lançar a linha soft, com modelos de algodão com toque de papel, puro conforto para o verão. Nos pés, os sapatênis feitos de lona envelhecida da Donadelli formam par perfeito.
Outra aposta são os modelos sabó, versão babuch para pés masculinos. A primeira vez que usei estranhei, mas agora acostumei. Parece que estou o dia todo de chinelo, confessa Jorgito Donadelli, dono da marca. Entre a maior parte dos expositores, o objetivo prioritário ainda é comercial. Viemos vender, não lançar moda, mas é preciso inovar, confirma Rogério Meireles, da Arte Fio, de Minas Gerais. O homem compra com o olho, depois coloca a mão no tecido e por último experimenta a roupa. Meireles diz que a moda masculina tem que se preocupar com o visual, depois com a matéria-prima e com a modelagem.


