A metamorfose do mercado
A psicóloga Simone Martin Oliani desenvolve um trabalho de orientação profissional, ajudando adolescentes e também adultos com certo tempo de carreira, a escolher a área de atuação mais adequada. Ela mesma, apesar de saber desde cedo o que queria da vida, se viu obrigada, devido a uma contigência familiar, a desviar temporariamente o seu percurso.
Ao prestar vestibular optou por um curso noturno, Educação Física, ao invés de Psicologia, que tomaria todo o seu tempo. Assim, poderia trabalhar durante o dia, já que a família passava por uma crise financeira. Conseguiu um emprego no setor administrativo de uma grande empresa, formou-se, mas não exerceu a profissão. Meu salário era três vezes maior do que o de um professor de Educação Física, lembra. Tanto que ficou no emprego por oito anos, mas não se sentia realizada. Contava as horas para chegar ao fim do expediente. Quando se casou, Simone teve a oportunidade que sempre sonhou: começou o curso de Psicologia e diz que foi a melhor coisa que poderia ter feito. Agora, trabalho muito mais, às vezes 14 horas por dia, mas me sinto extremamente gratificada.
De acordo com ela, a sensação de que as horas não passam no trabalho é um dos dos sintomas de que chegou a hora de reavaliar a escolha profissional. Outros sinais são a falta de vontade de levantar para ir trabalhar, a baixa produtividade, o desprazer de estar ali e a deterioração das relações profissionais. A pessoa acaba se sentindo culpada e podem aparecer sintomas de depressão e uso de drogas como forma de se esquivar da situação, informa.
Profissões híbridas O caso de pessoas que têm procurado ajuda profissional para mudar de área, segundo a psicóloga, ficaram mais frequentes nos últimos três anos. O mercado está ficando tão competitivo, que se a pessoa não fizer o que gosta acaba não aguentando as pressões e exigências. Simone informa que, muitas vezes, a orientação é feita dentro da própria área de atuação. Por exemplo, uma pessoa que trabalha com administração financeira e não consegue deslanchar, pode descobrir que lida muito melhor com gente e, então, mudar para a área de Recursos Humanos.
Outras vezes, é preciso trocar radicalmente de área, mas Simone deixa claro que todas as experiências anteriores serão aproveitadas na nova atividade. Estão começando a aparecer muitas profissões híbridas, que exigem formação multidisciplinar. Tem se falado muito nisso: usar os conhecimentos de uma área em outra completamente diferente. O mercado de trabalho só vai valorizar as experiências anteriores. Conhecimento nunca é descartável, afirma.
Para quem pensa no assunto, mas não tem menor idéia sobre qual área escolher, Simone dá algumas dicas. O primeiro passo é fazer uma lista com todos os interesses pessoais. Pense no que vai continuar interessando você daqui a 20 anos, sugere. Depois, enumere suas habilidades potenciais (o que tem facilidade de fazer), valores, motivações e estilo de vida. Tente enxergar que profissão (ou profissões) têm a ver com tudo isso, ensina, ressaltando que, muitas vezes, não é preciso fazer uma segunda faculdade.
Hoje, várias instituições oferecem cursos sequenciais, autorizados pelo Ministério de Educação e Cultura (MEC). Desde que seja graduada, a pessoa pode escolher disciplinas específicas dentro do curso que deseja fazer, sem passar pelo vestibular. As disciplinas cursadas vão enriquecer o histórico escolar. O mercado reconhece e valoriza isso, garante. (R.V.)





