À mesa com Sergio Arno
Angela Raizer Barbosa
Repletos de nomes impronunciáveis, os cardápios de grande parte dos restaurantes nacionais desconhecem a boa comida brasileira, uma das melhores do mundo, segundo o chef Sérgio Arno, dono do restaurante paulistano La Vecchia Cuccina, que esteve recentemente em Londrina. Apesar de sua formação culinária ser essencialmente italiana, Sérgio Arno defende com paixão a nossa comida típica. Falta um prato brasileiro na mesa dos brasileiros, enfatiza. O dia em que surgir um cozinheiro inteligente e colocar no cardápio pratos como barreado, vatapá, tutu de feijão, acarajé e fizer essa comida de maneira mais leve, com certo requinte, ele vai fazer sucesso e ganhar muito dinheiro, garante.
O chef de cozinha observa que o que temos hoje nessa área são restaurantes localizados e sem muita estrutura, que oferecem especificamente um tipo de comida típica, seja ela mineira, baiana ou paranaense. O que eu defendo é a criação de restaurantes com um cardápio à la carte de todos esses pratos brasileiros. Com formação culinária na escola toscana, Sérgio revela que sua cozinha não se resume à essa região. Minha cozinha tem estilo italiano, não é regionalizada. O chef admite que adora fazer pratos brasileiros, principalmente de comida mineira. É uma das mais difíceis de ser feitas por ser muito simples. As coisas complicadas são complicadas por si só. Quem sabe não está aqui o cozinheiro inteligente, disposto a montar um restaurante tipicamente brasileiro...
Novos molhos À frente do restaurante La Vecchia Cuccina, Sérgio Arno gosta de misturar ingredientes, inventar novas parcerias culinárias. Foi nessa busca de inovações para a convencional combinação da massa com molhos de tomate, creme de leite e outros ingredientes, que ele introduziu mais uma versão no cardápio de sua cozinha peninsular.
Extraindo o que os molhos tradicionais têm de melhor, ele criou uma deliciosa combinação, criando dois molhos para um prato de massa. Não tem mais o que inventar. Por mais que se crie, os novos molhos não passam de derivações de outros já existentes. Então, a solução foi criar um jeito de usar dois molhos para uma única massa e conquistar novos sabores. Assim surgiu a idéia dos Novos molhos, novas massas, que ele trouxe à Londrina recentemente.
Na versão de Sergio Arno, a pasta ganha um molho por dentro e outro por fora. Um macarrão ao pesto, cujo molho é misturado à massa, ganha a companhia de um molho à base de mariscos, que é colocado por fora, ou seja, em volta do macarrão já arrumado no prato. O cliente mistura os molhos à medida que vai se servindo, explica ele.
Acostumado a colocar ervas e especiarias em seus pratos, Sérgio diz que o brasileiro ainda não sabe e não tem o costume de usar esses temperos. Mesmo com a proliferação desses produtos no mercado, faltam informações sobre a forma correta de usá-los. Segundo ele, antes de cozinhar, é preciso conhecer os ingredientes, saber o que combina com o que. Eu cozinho muito com ervas, elas dão outro gosto à comida. Louro, por exemplo, eu coloco em quase tudo, e depois tiro.
Uma massa, dois molhos
Pennette ao Tomate Picante e Molho Verde
Ingredientes: 500 g de pennette, meio quilo de tomate pelado, 6 dentes de alho, 2 cabeças de cebola, 20 g de pimenta seca calabresa, 8 filés de anchova, meio litro de caldo de carne. Molho verde: 4 folhas de louro picado, 2 colheres de salsinha picada, 2 colheres de cebolinha verde, 2 colheres de alcaparras, 8 colheres de azeite, sal. Caldo de carne: 1 cenoura, 1 cebola, 1 tomate, 1 talo de salsão, 3 kg de carne de segunda, 4 litros de água, sal grosso, 1 bouquet garni (louro, tomilho, salsinha), 1 caldo de carne em cubo. Deixe ferver por 2 horas e meia e depois coe.
Modo de fazer: cozinhe a massa quase al dente. Somente no final passe na água fervente para dar o ponto e colocar o molho. Molho picante: refogue o alho, a cebola, o tomate pelado bem picado, a pimenta seca e o caldo de carne. Quando o molho estiver quase pronto, acrescente os filés de anchova fatiados. Molho verde: refogue no azeite a salsinha, a cebolinha, o louro, as alcaparras e o sal. Coloque o molho picante e, por cima, o molho verde.
Taglioline com Escargot ao Molho de Alho, Óleo e Vôngoli
Ingredientes: 400 g de taglioline, 1 dúzia de escargot (e a água do mesmo), 1 copo de vinho branco seco, 1 cebola bem picada, 2 colheres de manteiga, 3 folhas de louro, picadas, sal, cheiro-verde picado, meio copo de caldo de carne, 1 copo de leite fresco. Molho de alho: 200 g de vôngoli, 2 dentes de alho, 3 colheres de azeite, pimenta seca calabresa, cheiro-verde, 1 quarto de copo de vinho tinto.
Modo de fazer: cozinhe o taglioline quase al dente. Somente no final passe na água fervente para dar o ponto e colocar o molho. Molho de escargot: refogue a cebola na manteiga. Quando dourar acrescente o escargot, o sal, o vinho, o louro, o caldo de carne e por último o creme de leite fresco. Molho de alho: frite o alho no azeite. Acrescente sal, pimenta seca, cheiro-verde, vôngoli e, por último, o vinho. Monte o prato na seguinte ordem: massa, molho de escargot em volta da massa e molho de alho e vôngoli por cima.Apesar de sua formação culinária italiana, o chef defende a criação de restaurantes especializados em comida brasileira
Arquivo FolhaNão tem mais o que inventar. Por mais que se crie, os novos molhos não passam de derivações de outros já existentes. Então, a solução foi criar um jeito de usar dois molhos para uma única massa, diz Sérgio Arno





