A medicina que trata pessoas e não doenças
Ângela Raizer Barbosa
A segmentada medicina moderna, com suas poderosas e eficientes máquinas que vasculham o interior do corpo humano, muitas vezes se esquece de considerar o ser humano de forma integral, buscando o equilíbrio entre o físico e a mente. Este princípio, que pode parecer apenas um detalhe para a medicina convencional, vem sendo utilizado há mais de dois séculos pela homeopatia. Vale lembrar que até mesmo depois de reconhecida como especialidade médica na década de 80, a homeopatia ainda é vista por muitos com preconceito.
No entanto, é praticada por mais de dez mil médicos em todo o País e atrai hoje não só pacientes como também médicos alopatas que se rendem a essa terapêutica. Médicos como a pediatra londrinense Sandra Barata, que recentemente concluiu especialização de dois anos em homeopatia pela Universidade de Brasília (UnB). Com uma visão democrática da homeopatia e da alopatia, tanto é que pratica as duas especialidades a primeira em consultório e a segunda em pronto-socorros de hospitais londrinenses, a médica reconhece que há doenças em que não dá para descartar a medicina convencional.
Barreiras Atendendo pessoas de todas idades, Sandra revela que quando se trata de crianças, ela sempre aconselha aos pais a observarem melhor seus filhos, os hábitos, personalidade e ações. Não importa a idade, a criança sempre consegue expressar suas emoções através do comportamento e de reações físicas, observa ela.
A homeopatia começou a vencer barreiras depois de comprovar resultados positivos nos atendimentos primários, nas doenças crônicas, como enxaquecas, rinites, cólicas, e outras patologias relacionadas aos distúrbios de comportamento, principalmente em crianças. A concepção que a homeopatia tem do ser humano permite uma prática médica integral, garantindo um vínculo importante para o paciente e possibilitando o resgate da relação dele com o médico, afirma Sandra. Ela acrescenta que esse relacionamento ajuda na prevenção de doenças e melhora a percepção que o indivíduo tem de si mesmo e do meio em que vive, fazendo com que se torne mais atento às reações do próprio corpo e respeite as defesas do organismo.
Tratamento Outro mito em torno da homeopatia é de que os tratamentos são longos e, às vezes, intermináveis. Não é bem assim, discorda a médica. O resultado do tratamento depende da pessoa e da doença, da observação minuciosa dos sintomas e da disciplina com que é seguido. Assim, o paciente pode melhorar em três, quatro dias ou levar meses para obter a cura. Com duas grandes vantagens: além de apresentar menos efeitos colaterais, o custo do medicamento homeopático é cinco vezes menor que um remédio alopático. A diferença é maior quando se trata de exames, retornos e internações do paciente, argumenta ela.
Esta é uma das razões que motivaram as Secretarias de Saúde de vários estados brasileiros a adotar a medicina homeopática na rede pública. Trata-se do Projeto Homeopatia para Todos, desenvolvido pela Associação Médica Homeopática Brasileira, que objetiva facilitar o acesso a essa especialidade para usuários do SUS (ver box). Hoje a grande maioria dos pacientes da homeopatia é particular ou conveniada a planos de saúde. O projeto foi apresentado por Sandra Barata, na semana passada, ao secretário de Saúde de Londrina, Agajan Der Pedrossian.Reconhecida como especialidade médica, a homeopatia é também uma filosofia de vida que objetiva tornar o indivíduo saudável física e mentalmente
Paulo WolfgangO resultado do tratamento depende da pessoa e da doença, da observação minuciosa dos sintomas e da disciplina com que é seguido, afirma a médica Sandra Barata





