É tempo de festa! O Natal deixa a cidade mais iluminada e colorida. Os enfeites tomam conta das fachadas, vitrines e ruas. São guirlandas, bonecos de neve, presépios, sinos, renas e árvores natalinas de diferentes tamanhos e estilos. O bom velhinho, de barbas brancas e roupas vermelhas, aterrisa todos os anos para distribuir presentes e alegria.
Nessa época, a fantasia, principalmente dos pequenos, vem à tona. Eles ficam encantados com tanta novidade e esperam o Papai Noel e a noite de Natal com grande expectativa. E muitos adultos entram no clima, tiram a decoração do armário, montam a árvore e colocam pisca-pisca e enfeites para todos os lados.
Na casa da consultora de imagem Carolina Garcia Cid é assim. Os gêmeos Joaquim e Pedro, de seis anos, fazem questão de ajudar em todos os detalhes. ''Como a nossa árvore é alta, eles sobem em uma escada para ajudar a decorar. Ficam entusiasmados com os enfeites de Papai Noel que distribuímos pelo apartamento. É muito gostoso curtir essa época com eles'', afirma a mãe.
Ela conta que todos os anos o Papai Noel visita a família na noite de Natal. ''O Joaquim e o Pedro acreditam no personagem, tanto que pedem para escrever uma carta para ele. Eu incentivo toda essa fantasia, pois mostra a pureza das crianças. Quero que deixem de acreditar naturalmente'', pontua Carolina, ressaltando que a época da Páscoa também é uma festa. ''Eles esperam o coelho trazer os chocolates e fazemos um caça ao tesouro para achar os ovos'', diz.
''Gosto muito do Papai Noel e do coelhinho. Eles são legais. Mas eu nunca vi o coelho da Páscoa. Você já viu?'', questionou Joaquim, acrescentando que ''ele sempre traz os ovos escondido e a gente não vê ele chegar e nem sair''. Os irmãos contaram entusiasmados que este ano escreveram uma carta para o Papai Noel pedindo ''um cachorro de verdade''. ''Acho que vamos ganhar. Fomos bonzinhos durante o ano'', disseram.
Assim como Carolina, a arquiteta Ana Paula Brunetto sempre incentivou a iamginação da filha Sofia, hoje com onze anos. ''Eu cresci em um ambiente de muita fantasia e tenho ótimas recordações dessa fase. Gostaria que a minha filha tivesse a mesma oportunidade. Por isso, na Páscoa espalhava 'patinhas' de farinha para mostrar que o coelhinho passou pela casa e no Natal enfeitava tudo com ela'', explica Ana Paula.
Ela conta que Sofia deixou de acreditar nos personagens de forma natural, quando começou a ouvir na escola que eles não existiam. ''Ela nunca me perguntou nada, mas foi deixando de acreditar e de fantasiar as coisas como fazia quando era pequena. Mas o Papai Noel continua indo nas nossas festas todos os anos'', diz Ana Paula.
A mãe não esconde que a fantasia da filha vai deixar muita saudade. ''É muito gostoso curtir essa fase. Ela é filha única e vou sentir falta de tudo o que fazíamos. Mas temos boas recordações desses momentos, algo que nunca ninguém vai tirar de nós'', finaliza.
Fantasiar é saudável
O questionamento que surge é até que ponto - e idade - os pais devem estimular a fantasia das crianças. Para a psicóloga clínica Juliana Peralta, de Londrina, o clima do Natal mexe com a imaginação dos pequenos e consegue transformar sonhos em realidade. Segundo ela, a fantasia faz parte do universo infantil - principalmente entre os dois e os sete anos de idade. Nessa fase, os pais devem agir como facilitadores. ''Na época do Natal, por exemplo, o adulto pode ajudar a criança a escrever uma carta para o Papai Noel, pedir a ajuda dela para montar a árvore, decorar a casa e confeccionar cartões para a família. Os pais não devem reprimir a imaginação, dizendo que esses personagens não existem. Não podem romper essa importante fase da infância'', afirma.
Dar asas à fantasia pode trazer benefícios para o desenvolvimento infantil. De acordo com Juliana, é possível melhorar a linguagem, aumentar a criatividade e até mesmo despertar valores como o amor ao próximo, a bondade e a solidariedade. Cabe ao adulto desempenhar o papel de mediador, oferecendo um ambiente propício para isso.
A partir dos sete anos, conforme vai adquirindo maturidade, a criança começa a perceber que os personagens não existem. ''Essa descoberta deve acontecer de forma natural e no momento certo. Na escola ela vai começar a ouvir que é tudo mentira e pode questionar os pais, que não devem negar e nem confirmar o fato'', comenta a psicóloga, orientando que nesse momento o adulto pode dizer que ''os personagens existem para quem acredita'' ou perguntar a opinião da criança para que ela possa estruturar o seu próprio pensamento.
Juliana ressalta que a criança não deve ser vista como um ''adulto em miniatura''. Atualmente, com o ritmo acelerado da vida moderna e com o advento das novas tecnologias, os pequenos recebem muitas informações, têm uma série de responsabilidades e nem sempre têm a fantasia e a imaginação estimuladas na medida certa. ''Com isso, acabam perdendo muita coisa boa da infância'', finaliza.

Imagem ilustrativa da imagem A magia do Natal
| Foto: César Augusto
Carolina e os filhos Joaquim e Pedro: ''Eu incentivo toda essa fantasia, pois mostra a pureza das crianças'', diz ela
Imagem ilustrativa da imagem A magia do Natal
‘‘Os pais não devem reprimir a imaginação, dizendo que esses personagens não existem. Não podem romper essa importante fase da infância’’, afirma a psicóloga Juliana Peralta
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