A mãe nossa de cada dia
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quinta-feira, 05 de maio de 2005
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Mãe é uma só, não é mesmo? E cada uma é diferente da outra. Tem a mãe que só teve um filho e a outra que teve muitos filhos. Tem aquela que só teve meninos, que depois cresceram e viraram homens feitos. Tem também a mãe que só teve meninas e que crescerem e tiveram outras tantas meninas. Em comum, todas elas estão sempre cheias de amor para dar.
O espaço do banco no jardim já ficou pequeno para os meninos da professora e evangelizadora Angela Chineze. Se antes Victor, 14 anos, Tiago, 12, e Felipe, 10, cabiam no seu colo, hoje eles estão quase alcançando a sua altura. Na hora de tirar a foto, nenhum deles quis voltar para o colo da mamãe. Se eu tivesse filhas, já estariam todas fazendo pose, brinca Angela, para quem, na verdade, está ótimo ter apenas meninos.
Antes eu até pensava em ter uma menina, mas depois peguei gosto em ter só filhos. Se hoje tivesse mais um filho, iria querer mais um menino, garante a professora. Eles me complementam, ascrescenta Angela, que vem de uma família só de meninas, já que sua mãe, ao contrário, teve três filhas. Mas nisso o Rogério (marido) compensa porque só tem irmãos, explica.
Nessa fase de 14 a 10 anos, eles estão muito apegados a mim. Se têm que perguntar algo, perguntam pra mim e não para o pai, diz a professora. Para Angela, a diferença de não ter filhas está na hora de montar os programas. As meninas viram companheiras das mães nos passeios pelo shopping, na hora das compras. Tem essa cumplicidade. Com os meninos, é preciso pensar em outras coisas, conta. Para ficar ainda próxima dos filhos, ela programa idas ao cinema, restaurantes e à igreja. Com essa idade ainda dá para a família viajar com todos juntos, diz.
Meninos são mais despojados, mais divertidos e ainda têm livre acesso ao diálogo, lembra Angela. Mas também são mais agitados, completa ela, que está sempre com a casa a mil por hora. Criança chama criança, explica.
Ser mãe é descobrir que você tem muito a aprender com palavras e comportamento que os filhos nos ensinam, filosofa a Angela. Para ela, é gratificante ser mãe. Claro que tem os momentos entre tapas e beijos, brinca, mas a gente aprende com os erros e repete os acertos, ensina. De acordo com a mãe de Victor, Tiago e Felipe, a palavra-chave é acordo. Não é chantagem, nem subordinação, mas é um jeito de criar um equilíbrio entre mãe e filho, avisa.
A poucos metros da casa dos meninos, vive um outro trio, mas só que formado apenas por meninas. Giovanna, 10 anos, Laura, 5, e Gabriela, 3, são as queridinhas de Sueli Rizzi, que se define como mãe, dona de casa e pecuarista. Vinda de uma família também de três irmãs, Sueli acaba realmente se sentindo em casa. Não sei arrumar menino e se preciso presentear um, nem sei o que comprar, explica.
Mas hoje não há diferença em ter filhos ou filhas, garante Sueli. As meninas adoram brincar de casinha e boneca, mas também se divertem muito com jogos. Mas é claro que ela já detecta um certo toque consumista nas garotas. Quando vou fazer compras procuro nem levá-las, conta. Na hora de se vestir, até a caçulinha repete isso combina? para cada roupa. Mesmo assim, a pecuarista não faz das filhas bonequinhas. Elas estão sempre bem à vontade em suas roupas, explica.
Para Sueli, a diferença no jeito de encarar a maternidade, de menino ou menina, fica por conta da quantidade. Quem tem três filhas como eu tem que ficar muito atenta à individualidade de cada uma. Por isso procuro ver sempre as necessidade e as diferentes características, ensina. Apesar de ter um carro grande que comporta sete pessoas e muitos badulaques (é bolsinha, bolsa, boneca) , Seueli procura, vez ou outra, sair apenas com uma das filhas de cada vez.
Quando as três estão juntas, a atenção é triplicada e os carinhos e chamegos também. Adoro quando elas me abraçam, são amorosas e me mandam bilhetinhos, explica. Mãe sempre têm o papel de ser a mais chata, a mais exigente, então quando tenho essa resposta carinhosa é muito prazeroso, se emociona Sueli.
As meninas se inspiram muito nas mães, conta. Não por acaso, Giovanna, Laura e Gabriela estão sempre rondando o guarda-roupa de Sueli. Elas fazem desfiles pela casa com minhas roupas e sapatos, sorri. As meninas gostam tanto de algumas peças que andam fazendo seus pedidos. Elas dizem mãe, você guarda isso para quando eu crescer, conta ela, que acha tudo isso uma graça, claro. Para o Dia das Mães, Sueli sabe que vai ganhar um almoço caprichado do marido, que vai para a cozinha sem titubear, e pequenos presentinhos das meninas, que estão, elas mesmo, produzindo. E é o que eu valorizo, o que elas mesmo fazem, avisa.
Hoje é preciso ter muita coerência na educação dos filhos, ensina Sueli, que usa a religião para encaminhar as meninas para a vida toda que têm pela frente.
A gente cria os filhos para o mundo, avisa a advogada Dalva Inocente, de Cambé, mãe de Mariana, 13 anos, e João Neto, 10. Para ela, ser mãe é ser exigente e ao mesmo tempo dar indepedência para eles. Dou autonomia para os dois e procuro passar responsabilidade com horários e compromissos, explica.
A criação dos dois é a mesma, mas eles são diferentes. A Mariana é de mandar cartas, o João Neto prefere falar tudo, conta Dalva que se sente realizada ao ver que os filhos são parecidos e se gostam muito quando um sai em defesa do outro. Um sempre quer proteger o outro, orgulha-se.
O menino aceita mais as coisas. Se resiste, logo muda, quando percebe que eu fiquei chateada. A menina persiste mais, comenta a advogada. Para ela ter um casal de filhos é o projeto ideal de todo pai e mãe. Então, eu e meu marido estamos muitos satisfeitos com os dois, diz Dalva, para quem as famílias numerosas de outrora já não têm mais espaço nos dias de hoje. Mas o coração de mãe segue generoso.


