À luz da razão
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de abril de 1997
Celso Mattos 
Arquivo/FLA formação do médico está desguarnecida de ética, diz o cardiologista José Eduardo SiqueiraO respeito à autonomia do paciente é um assunto que está sendo debatido cada vez com mais frequência no Brasil. Presente em livros, artigos e congressos médicos, o tema faz parte de uma discussão ainda maior e mais complexa que é a Bioética. Uma ciência que procura diminuir o tecnicismo na área médica, resgatar o humanismo perdido devido ao avanço avassalador da tecnologia e estabelecer a justiça como princípio fundamental na saúde da população.
Refletindo sobre isso, uma equipe de professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) decidiu incluir, no ano passado, a disciplina de Bioética no curso de medicina. A formação do profissional de medicina está desguarnecida de ética, afirma o médico cardiologista José Eduarado Siqueira, que é presidente do Comitê de Bioética do Centro de Ciências da Saúde da UEL. Segundo ele, a intenção é buscar cada vez mais um equilíbrio na relação médico-paciente. Uma relação pautada na informação e no respeito à dignidade humana. Diferenciando-se, em parte, da Bioética praticada nos Estados Unidos, onde se privilegia em demasia a autonomia do paciente, afirma.
O cardiologista explica que, em 1974, preocupadas com pesquisas envolvendo seres humanos, as autoridades norte-americanas criaram um grupo de profissionais que ficou reunido durante quatro anos. Esse grupo criou o Tratado de Belmont, que acabou instituindo também o 1º Tratado sobre Bioética. O grupo estabeleceu como princípios básicos a autonomia, a beneficência, a justiça e a não-malificência.


